A Paróquia de São Sebastião realiza nesta quinta-feira (20/01) uma comemoração ao Padroeiro de Palmital. Devido à pandemia do coronavírus, que obrigou o cancelamento da programação festiva, a comunidade fará uma celebração especial, a partir das 19 na igreja Matriz, em louvor ao santo protetor contra a fome, a peste e a guerra.
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A celebração deverá contar com a presença de fiéis, seguindo os protocolos de distanciamento e higiene para evitar a propagação da Covid. Também haverá transmissão pela internet, nas redes sociais da paróquia. A missa solene será presidida pelo pároco Marcelo Barreto e concelebrada pelo padre Otávio Peres.
136 ANOS
A fundação de Palmital ocorreu há 136 anos durante o desbravamento do “sertão de São Paulo”. A política fundiária desenvolvida pelo governo agilizou a formação de povoados que visavam a defesa do domínio sobre o território paulista. Com a Lei de Terras de 1850 e do Regulamento de 1854, foi impulsionada a chamada Frente Pioneira, movimento que acelerou a ocupação no Vale Paranapanema.
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A partir da década de 1880, teve início o processo de partilha, medição e divisão de terras em imóveis chamados de fazendas. Vindo de Botucatu, abrindo estradas e picadas nas matas nativas, José Theodoro de Souza, junto com Francisco de Paula Moraes e João da Silva Oliveira, demarcou a Fazenda Taquaral, com mais de 760 mil alqueires, localizada desde o rio Novo até as margens do rio Paraná e do Paranapanema até o rio do Peixe.
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Em 30 de maio de 1856, José Theodoro registrou a posse da área em Botucatu. As terras entraram em inventário após a morte do desbravador, em 24 de julho de 1857. Em 20 de janeiro de 1886, a data considerada como de fundação do povoado, toda a extensão da Fazenda Palmital, que havia sido vendida a Porfírio Álvares da Cruz, estava tomada por posseiros que demarcaram lotes e plantaram café.
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O primeiro a se instalar na região foi João Batista de Oliveira Aranha, vindo de São Manuel. Ele tomou posse da área localizada a quatro quilômetros da atual cidade, na Água dos Aranhas. Depois vieram as famílias de Joaquim Silvério da Cruz e de Salvador Ricci, que se estabeleceram na Água Clara. Já em 1910 chegaram Júlio D’Oliveira Castanhas e Licério Nazareth de Azevedo, que construiu o primeiro hotel. Elias Chedid também chegou e instalou um armazém nas terras de Francisco Severino da Costa.
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A primeira capela foi construída em homenagem a São Sebastião, por iniciativa de Cândido Dias de Mello, com a primeira missa rezada pelo padre Antônio Ferreira, da Paróquia de Campos Novos. Entre 1909 e 1911, antes da chagada dos trilhos da Sorocabana, os posseiros passaram a receber do governo do estado os títulos de propriedade das áreas ocupadas. Parte das terras sem registro foi vendida, sem considerar a posse registrada por José Theodoro, dando início a um dos mais longos litígios da Justiça do país.
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Em 19 de abril de 1921, Aristides Álvares da Cruz, herdeiro de Porfírio Cruz, entrou com ação reclamando os direitos sobre a propriedade “Fazenda Palmital”. A batalha judicial foi solucionada com sentença proferida em outubro de 1981 na Comarca, com a condenação do Estado a indenizar os sucessores Sylas de Camargo Schreiner e Dr. Leonel Braga. O valor da indenização ainda não foi completamente quitado e o processo ainda tramita no Judiciário paulista.













