Quatro testemunhas falaram nesta terça (8) à Comissão Processante que investiga suposta compra irregular pela companhia de passagens aéreas para parlamentares investigados. Próxima fase será ouvir testemunhas de defesa.
No primeiro dia de depoimentos da Comissão Processante (CP), que foi instaurada pela Câmara de Vereadores de Bauru (SP) para apurar denúncias contra o atual prefeito e a dois vereadores por supostos pagamentos de viagens feito pela Cohab, quatro testemunhas foram questionadas sobre a existência de bilhetes aéreos pagos pelo ex-presidente da companhia, Edison Gasparini Júnior.
O depoimento mais contundente foi o da empresária Angela Aiello, sócia da agência de turismo que vendia as passagens aéreas para Gasparini.
Ela confirmou ter vendido as passagens com os nomes de Sandro Bussola (PSD) e Fábio Manfrinato (PP), os vereadores investigados. A CP também investiga o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB) que, segundo a denúncia, teria sido omisso em relação a essas viagens.
A empresária ainda confirmou que os bilhetes eram requisitados, na maioria das vezes, pela secretária de Gasparini e que os bilhetes foram pagos em dinheiro, por Gasparini, e não pela Cohab.
Segundo a empresária, o teor desse depoimento é o mesmo do prestado ao Ministério Público durante as investigações da Operação João de Barro, que investiga desvios milionários na Cohab.
Além da empresária, também falaram à CP o motorista da Cohab e a então secretária pessoal do ex-presidente da Cohab. O motorista confirmou ter ido diversas vezes à agência de viagem, com dinheiro ou cheque, em nome do Gasparini
Já a secretária repetiu o que disse ao MP e falou que tinha anotações na agenda de passagens pagas em dinheiro, mas não se lembra se pagou para os vereadores investigados.
Pela manhã, o único a ser ouvido foi a testemunha de acusação David de Oliveira Bassoto, funcionário da Cohab apontado como a pessoa que teria levado dinheiro para pagar as passagens aéreas.
Na oitiva, David afirmou que não teve contato pessoal com agências de viagens e nem comprou passagens para serviços pessoais de Edison Gasparini Júnior, então presidente da Cohab, e dos vereadores acusados.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/i/c/OeYDMNSpGNRZzRqBn5mg/cp-cohab1.jpg)
Neste primeiro dia também estavam previstos os depoimentos do jornalista Nelson Gonçalves, responsável pela primeira reportagem publicada sobre o tema e do ex-presidente da Cohab, Edison Gasparini Júnior.
O jornalista estava de férias e Gasparini, não foi encontrado no endereço em que residia para ser notificado. A CP abriu mão dos dois depoimentos para dar prosseguimento aos trabalhos.
Ainda pela manhã, um pedido da defesa do vereador Sandro Bussola provocou uma mudança no andamento das oitivas, transferindo para a próxima terça-feira (15) o depoimento das testemunhas de defesa que seriam ouvidas nesta terça.
A defesa de Bussola alegou que as testemunhas de defesa só devem falar depois das testemunhas chamadas pela própria Comissão Processante. O pedido foi acompanhado pela defesa de Manfrinato e aceito pela CP.
FONTE: G1


