O trajeto de volta para casa é sempre embalado por lembranças, dos momentos felizes compartilhados entre família às brincadeiras com os amigos. Mas, voltar para casa com a certeza de que essas memórias ainda serão construídas pelos filhos, é melhor ainda, e é isso o que os Cestari, de Piquerobi (SP), estão prestes a viver.
Após mais de três anos vivendo uma rotina completamente diferente daquela a qual estavam acostumados, Talita Ventura Cestari e Vinicius dos Santos Cestari, poderão, finalmente, retomar sua vida na cidadezinha de apenas 3.264 habitantes, distribuídos em 482.506 km², no extremo oeste do Estado de São Paulo.
Eles são pais das gêmeas siamesas Allana e Mariah, que nasceram unidas pela cabeça. Antes mesmo do parto, as meninas já eram assistidas por uma equipe multidisciplinar do Hospital das Clínicas (HC), ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP).
O caso, extremamente raro, possui um registro a cada 2,5 milhões de nascimentos.
“Eu soube com 10 semanas de gravidez e, para nós, foi um período muito difícil devido ao pouco conhecimento que tínhamos. Havia poucos médicos na nossa região que sabiam lidar com isso. Inclusive, a primeira orientação que recebi foi para interromper a gestação”, relembrou ao g1 a mãe.
Mesmo ouvindo respostas que não agradavam, o casal não desistiu de lutar pela vida das filhas. Inicialmente, o acompanhamento foi realizado no Hospital Regional (HR), em Presidente Prudente (SP). Em seguida, os pais largaram tudo na cidade natal e percorreram quase 500 quilômetros em busca de apoio no hospital ribeirão-pretense, referência nesse tipo de tratamento.
E foi lá que eles ouviram, pela primeira vez, o choro das irmãs anunciando sua chegada ao mundo, em 9 de dezembro de 2020.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/p/k/OazIVeR8qrbDRfPbGZYQ/gemeas-allana-mariah.jpg)
Gêmeas nasceram unidas pela cabeça, em 9 de dezembro de 2020 — Foto: Divulgação HC Ribeirão
Fé ✨
Desde o parto, as gêmeas foram submetidas a incontáveis processos cirúrgicos, como traqueostomias, neurocirurgias e plásticas reparadoras, além de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, tudo com a mais alta tecnologia, na tentativa de separar as meninas e proporcioná-las uma melhor qualidade de vida.
Ao todo, foram quatro cirurgias até as cabeças de Allana e Mariah se separarem completamente. A cada ida ao centro cirúrgico, o coração dos pais ficava um pouquinho mais apertado, no entanto, sua devoção a Nossa Senhora Aparecida e a confiança que possuíam na equipe médica faziam com que tudo ficasse calmo.
“Nós sempre fomos pessoas de muita fé. Sempre entregamos tudo nas mãos de Deus. A cada cirurgia, eu ficava com medo, mas a equipe passava uma segurança muito grande, então eu sabia que estava e ia ficar tudo bem”, ressaltou ao g1 a professora.
A mãe sabia que não seria fácil, pois as filhas teriam de passar por uma bateria de exames antes e durante o tratamento, porém, nunca perdeu a fé.
Fonte: g1
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/F/b/ySgOBTR0SQ6n8APFkhqA/whatsapp-image-2023-11-24-at-17.14.27.jpeg)
Allana e Mariah continuarão o tratamento na cidade vizinha Santo Anastácio (SP) — Foto: Acervo pessoal













