“…são duas formas distintas de cooptação das instituições…”
O ambiente perfeito para a instalação de ditaduras ou autocracias, de direita ou de esquerda, tem como pano de fundo o descrédito e, consequentemente, a aniquilação das instituições de Estado, aquelas que sustentam os seguidos governos dos mais diversos matizes.
Inversamente, as democracias se sustentam graças ao poder, à força e o respeito às instituições, que equilibram os seguidos governos, dos mais variados matizes, sem deixar corromper a essência do sistema de garantia das liberdades, das artes, da crítica, da expressão, do pensamento e, principalmente, do respeito às escolhas da maioria pelo voto.
Não obstante à essa verdade teórica difundida e incontestável, a corrosão das instituições não representa necessariamente o fim da democracia, como acontece no Brasil, assim como o exercício do poder de um mandatário, eleito pelo voto popular, mas afeito à ditadura de seus próprios caprichos, não é regulado pelas instituições, como acontece nos Estados Unidos.
O que se constata neste quarto de século 21 é que a ausência de lideranças comprometidas com a democracia abre caminho para a corrosão das instituições e também para o surgimento dos autocratas, que se apresentam como salvadores da pátria ou defensores de ideologias.
No Brasil da polarização entre Lula e Bolsonaro, o que se assiste são duas formas distintas de cooptação das instituições para fazer prevalecer a vontade e a ideologia de cada um dos mandatários e de seus grupos de apoio, representados pelos mais extremados e inconsequentes.
Os governos do PT, de Lula, se caracterizam pelos grandes acordos políticos que corrompem as instituições e abrem portas para esquemas de corrupção, como Mensalão e Petrolão, enquanto o governo Bolsonaro ficou marcado pela cooptação das forças armadas e de segurança em defesa de um regime de ruptura institucional.
Enquanto uma forma de governar corrompe diretamente as instituições, cujos agentes são preservados de suas responsabilidades, o outro faz a cooptação direta pelo governo, seja pela distribuição de muitos cargos, dos altos salários e muitas emendas parlamentares sem controle ou rastreamento, o que também redunda em corrupção.
Assim, a nossa democracia institucional se sustenta com instituições corrompidas, incapazes de fiscalizar umas às outras e de sequer oferecer o exemplo de integridade que se cobra do cidadão comum, que se torna a vítima preferencial do sistema.
CONFIRA TODO O CONTEÚDO DA VERSÃO IMPRESSA DO JORNAL DA COMARCA – Assine o JC – JORNAL DA COMARCA – Promoção: R$ 100,00 por seis meses














