Menos armas, menos mortes

“…autores de homicídios no Brasil são homens jovens moradores de áreas vulneráveis…”

A Secretaria da Segurança de São Paulo divulgou levantamento, tema de matéria na edição de hoje do JC, que aponta redução de 7% no índice de criminalidade no Estado em 2025, cujos números positivos são atribuídos a políticas públicas adotadas pelo Governo.

A divulgação aponta como causa da redução os “avanços” na segurança que incluem reforço de políticas públicas, investimento no trabalho de inteligência e mais policiais nas ruas, com 17 mil vagas em concursos, alocação de R$ 1,5 bilhão no setor e operações que resultaram em prejuízo de R$ 3 bilhões ao crime organizado.

Não obstante à excelente notícia da redução de mortes violentas, é preciso observar que o número de homicídios não está diretamente relacionado às medidas divulgadas, uma vez que grande parte dos crimes de morte são praticados por pessoas comuns, principalmente familiares, a maioria maridos, pelas desavenças entre amigos e facções ou por vingança e desentendimento.

Segundo o Atlas da Violência e Anuários de Segurança Pública (2024-2025), a maioria dos autores de homicídios no Brasil são homens jovens moradores de áreas vulneráveis, membros de organizações criminosas, parceiros ou ex-parceiros (feminicídio) e agentes de segurança pública.

Também é bom citar que as mortes decorrentes de intervenção policial, que muito provavelmente não entraram  nas estatísticas da SSP-SP, aumentaram bastante nos últimos anos, sem que tenha havido redução dos crimes de furto e roubo e de golpes financeiros que estão em crescimento exponencial.

Em todos os casos, com exceção às mortes causadas pela própria polícia, o aumento do efetivo e os investimentos financeiros não interferem na redução dos crimes de morte.

A maioria dos homicídios são de autoria de pessoas comuns, quase sempre relacionados a desinteligências, ao feminicídio e ao porte de arma que, em muitas circunstâncias de desacordos ou brigas, é usada para matar, como se verifica diariamente na maioria das cidades, sem que a presença de mais ou menos policiamento possa evitar.

O que pode de fato reduzir os crimes de morte e a própria criminalidade, que inclui furtos, roubos e golpes, são investigações sérias e medidas punitivas drásticas que possam inibir a violência, o controle sobre o porte de armas e, principalmente, a redução da pobreza e da degradação humana causadas pela falta de segurança, saúde, educação, moradia e dignidade.

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Cláudio Pissolito

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