“…população trabalhadora sacrificada, explorada e tentada a cada momento a contratar novas dívidas…”
Pela segunda vez no mesmo mandato o governo federal lança um programa destinado e reduzir o endividamento de grande parte da população que, além de baixa renda, enfrenta preços altos e, principalmente, juros entre os mais elevados do mundo.
Não por acaso, o programa tem como objetivo sanar ou reduzir as dívidas bancárias de empréstimos, cheque especial e cartões de crédito, que cobram absurdos e extorsivos juros que ultrapassam os três dígitos ao ano e que chegam a escandalosos 450%, algo absolutamente impensável em qualquer economia minimamente civilizada e respeitosa para com o consumidor.
Em país de baixa escolaridade, sem qualquer educação financeira, de pouca defesa dos direitos do cidadão e onde os representantes do capital influenciam as políticas públicas, sobra uma grande parcela da população trabalhadora sacrificada, explorada e tentada a cada momento a contratar novas dívidas por meio de contratos extorsivos e enganosos.
Jogos de azar diários que prometem riqueza imediata, golpes eletrônicos continuados, ofertas de cartões de crédito e de empréstimos facilitados com a garantia de salários ou de aposentadorias formam o cardápio das tentações que povoam as mentes dos mais necessitados.
Os móveis e eletrodomésticos que custam o mesmo valor à vista ou em 12 parcelas mensais são exemplos de juros embutidos pelas redes de varejo que se transformam em grandes instituições financeiras que vendem juros e oferecem mercadorias de baixa qualidade como brindes de vida curta.
Automóveis financiados e devolvidos várias vezes aos lojistas enriquecem as instituições financeiras e empobrecem os mais pobres que buscam apenas um meio de locomoção minimamente digno, sempre prometido e nunca garantido àqueles que vivem nas periferias e que mais gastam com os juros extorsivos.
O sistema financeiro perverso, mantido e alimentado pela transferência permanente de recursos de baixo para cima da pirâmide social, é a principal causa da pobreza nacional e da vergonhosa indigência de educação, saúde, segurança, transporte e moradia.
Sem escolaridade, sem profissionalização e sem capacidade mínima de administrar dos parcos recursos a que têm acesso, as camadas mais pobres do povo continuam vítimas preferenciais dos crimes financeiros cometidos pelos grandes conglomerados nacionais e internacionais que transformam contingentes populacionais em meros pagadores de juros.
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