Vini Jr. marca golaço e salva um Brasil, que preocupa mais do que empolga em estreia na Copa do Mundo

A seleção brasileira começou com um empate a caminhada na Copa do Mundo 2026. O duelo com Marrocos, na noite de sábado (13/06), em Nova Jersey, ficou no 1 a 1.

O Brasil saiu atrás, com gol de Saibari, que encobriu Alisson após receber passe entre os zagueiros. Havia muito espaço na defesa brasileira, que estava aberta e foi surpreendida após Paquetá perder a bola no ataque.

Mas Vini Jr. empatou ainda no primeiro tempo, evitando a derrota brasileira. O lampejo do camisa 7, inclusive, foi o melhor momento do Brasil. Ele recebeu de Bruno Guimarães, ganhou da marcação na ponta esquerda e acertou um belo chute para aliviar o jogo para o lado de Ancelotti. Jogada típica de Vini, mas que ele não conseguiu repetir mais no jogo.

A atuação no geral não foi boa. O Brasil teve um primeiro tempo muito problemático, com Marrocos massacrando em alguns momentos. O time até se reorganizou durante a partida, mas não o suficiente para vencer.

De todo modo, o Brasil sustentou uma invencibilidade em primeiras rodadas de Copa: a última derrota no jogo inicial foi em 1934, quando perdeu para a Espanha.

Na tabela, Brasil e Marrocos largam com um ponto no Grupo C. A liderança é da Escócia, que venceu o Haiti por 1 a 0.

Na próxima rodada, o Brasil encara o Haiti, sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia.

Fonte: UOL

Vinicius Junior celebra gol da Seleção Brasileira contra Marrocos – Foto:Ulrik Pedersen/NurPhoto via Getty Images

Análise

Um jogo em que o Brasil sequer flertou com a vitória. É difícil tirar algo de positivo da estreia da Seleção na Copa do Mundo além do fato de não ter perdido para o Marrocos na noite de domingo em Nova Jersey.

Dos erros individuais à desorganização coletiva, passando pela falta de agressividade mesmo quando melhorou no segundo tempo, a atuação preocupa bem mais do que o resultado.

A escalação surpreendente com três estreantes que souberam poucas horas antes de a bola rolar que seriam titulares (Ibañez, Douglas Santos e Igor Thiago) não funcionou. Longe disso. O Brasil não se encontrou no primeiro tempo, errou demais e os próprios jogadores expressaram em zona mista o tom de agradecimento pelo empate.

Na segunda etapa, a equipe até melhorou, controlou o jogo, teve a bola, mas criou pouco. Tirando uma esticada de Cunha para Vini que Raphinha finalizou em cima de Bono ou escanteios já nos acréscimos, a melhora da Seleção deu monotonia ao jogo.

O Brasil teve um primeiro tempo de espasmos e que passou quase que exclusivamente pela capacidade de Vini Jr de criar espaços. Apática e dispersa, a Seleção teve dificuldade para se impor e, com menos de dez minutos, já tinha permitido seis finalizações de um Marrocos que verticalizava as ações e se impunha com marcação no campo de ataque.

Os marroquinos competiam mais, enquanto os brasileiros tinham dificuldade para ganhar duelos e reter bolas. Com exceção de jogada individual de Vini pela esquerda em que Igor Thiago errou a cabeçada na pequena área, o Brasil praticamente não tinha o controle da bola, e o gol de Saibari, aos 20 minutos, fez justiça a quem mais buscou o jogo.”

O lance, por sinal, sintetizou muito do que não deu certo para os brasileiros: Paquetá recebeu passe ruim de Ibañez, não dominou e perdeu a bola, Casemiro não encurtou a marcação no meio-campo, e Gabriel Magalhães foi facilmente batido na corrida. O Brasil começou a Copa do Mundo abusando de errar.

A vantagem, por sua vez, fez com que o Marrocos baixasse as linhas e oferecesse a bola. O jogo da Seleção parecia óbvio: bola para Vini. E foi assim que saiu o gol. Em jogada típica de quando veste a camisa do Real Madrid, o atacante atraiu a marcação, tocou para Bruno Guimarães e se ofereceu para receber de volta no mano a mano. E nessas condições ele é fatal: El Aynaoui foi driblado com facilidade antes da finalização sem chances. 1 a 1.

A essa altura, Ancelotti já tinha deslocado Raphinha para direita, Paquetá para o meio, e o Brasil arriscava se impor. A fragilidade defensiva, no entanto, era evidente, ao ponto de Casemiro e Ibañez terem que apelar para faltas de cartão amarelo. Parecia faltar sintonia na transição defensiva de um time que treinou a maior parte do tempo com Danilo e Alex Sandro ao longo da semana.

O Brasil voltou para o segundo tempo com Danilo e Fabinho nas vagas dos amarelados Ibañez e Casemiro e tomou as rédeas do jogo. Com o Marrocos com bem menos ímpeto na marcação e de linhas baixas, a Seleção também ficou mais bem postada no campo ofensivo, além de cadenciar melhor a posse de bola, com trocas de passes de um lado para o outro.

Se não chegava a pressionar, ao menos controlava o jogo sem sofrer sustos em contragolpes de um adversário que parecia mais cansado. Aos 15 minutos, Ancelotti apostou em Cunha e Luiz Henrique para os lugares de Igor Thiago e Paquetá, que não fizeram bom jogo. O Brasil não conseguia transformar a posse no campo ofensivo em objetividade.

As mudanças pouco surtiram efeito, ao ponto de o Marrocos conseguir equilibrar a posse de bola e deixar o tempo passar. Com exceção da luta de Matheus Cunha para recompor e conectar o meio ao ataque, o Brasil praticamente não conseguiu ser eficiente a partir da intermediária ofensiva, e a indignação pelo empate deu lugar a um temor pela derrota.

Duas cobranças de escanteio do lado brasileiro levantaram o torcedor já nos acréscimos. Foi o Marrocos, porém, que mais se aproximou do gol, em finalização de média distância que Alisson deu rebote e acabou salvando na sequência.

No fim das contas, o empate foi o resultado mais justo para um pontapé inicial bem morno da Seleção na Copa do Mundo.

Fonte: g1

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Cláudio Pissolito

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