VÍDEO: Pai que chutou filha de três anos no rosto é preso preventivamente por violência doméstica

Foi preso preventivamente nesta quinta-feira (09/07) o pai flagrado chutando a própria filha de três anos, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná.

O homem responde pelo crime de lesão corporal praticada no contexto da violência doméstica e familiar. A polícia não divulgou o nome dele oficialmente.

Segundo a Polícia Civil (PC-PR), a prisão do homem foi solicitada após a investigação identificar um histórico de agressões contra as crianças — a filha e o enteado de cinco anos. Além disso, o delegado Anderson Andrei afirma que a medida poderá fazer com que mais testemunhas possam denunciar as situações, sem medo do agressor.

O homem foi preso em casa. Ele está na cadeia de Francisco Beltrão, sem prazo para ser liberado. O pai, que passou por audiência de custódia, está sendo representado pela Defensoria Pública.

O delegado explicou que, durante as investigações, provas de crimes no contexto de violência foram localizadas. A polícia também ouviu a mãe da menina, os avós maternos e um tio materno. Os familiares do pai ainda não foram ouvidos porque moram em Santa Catarina e não mantinham contato próximo com ele, mas poderão ser chamados para prestar depoimento.

Com as informações, foi descoberto que o homem também agrediu o enteado anteriormente. Conforme Andrei, o menino estava com marcas no rosto e a suspeita é de que o padrasto tenha batido na criança com um cinto ou um pedaço de madeira há algumas semanas.

“Há indícios de que aquela agressão não foi a única e também não só contra a menina. O outro menino, que seria enteado dele, também já teria sofrido algumas agressões pretéritas. Todo esse contexto foi levado ao conhecimento do Ministério Público, do Poder Judiciário e formalmente houve a expedição do mandado de prisão”, explicou o delegado Ricardo Moraes, que também prestou esclarecimentos à imprensa nesta quinta-feira.

O menino também aparece nas imagens registradas por câmeras de segurança no último domingo (05/07). No vídeo, o homem aparece caminhando com as crianças. Em certo momento, ele para e dá um chute na filha, que cai no chão.

Logo após, outro homem aparece e abre os braços na tentativa de intervir, mas é confrontado pelo pai da criança. A menina se levanta e os três continuam andando.

A mãe das crianças descobriu o que tinha acontecido após ver as imagens em redes sociais. Ela registrou um boletim de ocorrência na terça-feira (07/07), o que deu início à investigação que resultou na prisão.

Em depoimento, pai disse ter dado chute porque criança estava chorando

Pai é flagrado chutando a filha em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. — Foto: Reprodução

Pai é flagrado chutando a filha em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. — Foto: Reprodução

O homem foi procurado pela Polícia Militar (PM-PR) na mesma data em que o boletim foi registrado, mas não foi encontrado.

Na quarta-feira (08/07), ele foi ouvido pela Polícia Civil. A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, apurou que ele alegou, em depoimento, ter dado o chute porque a criança estava chorando. Por não ter ocorrido flagrante, o homem não ficou preso naquele momento.

Em situações de lesão corporal, o flagrante se caracteriza quando o crime está sendo cometido ou acabou de acontecer, portanto acaba a possibilidade de prisão por flagrante quando não há continuidade do crime.

De acordo com o delegado Anderson Andrei, o homem compareceu à delegacia sem advogado. Em depoimento, chorou e disse estar arrependido do que fez.

A Polícia Civil pediu medidas protetivas de urgência em favor da menina, do irmão dela e da mãe. O Conselho Tutelar também foi acionado e acompanha o caso.

Práticas violentas

Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, ouviu 2.206 pessoas em todo o Brasil e identificou quais são as estratégias disciplinares utilizadas por cuidadores. Segundo o levantamento, 29% dos entrevistados admitiram o uso de práticas violentas, como palmadas e beliscões em crianças de até 3 anos.

A pesquisa aponta ainda que 58% dos entrevistados dizem colocar a criança de castigo e 43% relatam gritar ou brigar como forma de disciplina.

Fonte: g1

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