“…multinacionais do agronegócio, que de fato se beneficiam da pujante agricultura…”
País de enorme extensão territorial e de maior área agricultável do planeta, com solo fértil e de fácil ocupação, beneficiado pelo clima tropical que garante seguidas safras em todas as estações do ano, o Brasil é de fato vocacionado para a agricultura.
Não por acaso, somos o líder mundial na produção das principais commodities agrícolas, como soja, café e cana de açúcar, e expressiva produção de algodão, milho, laranja e madeira de reflorestamento, o que faz o país ser considerado o celeiro do mundo com a maior reserva de terras inexploradas.
Não obstante à enorme produção, grande parte para exportação, a riqueza das terras férteis ainda não chega à maioria dos brasileiros, atende a poucos proprietários e serve mais aos interesses das multinacionais do agronegócio, que de fato se beneficiam da pujante agricultura nacional.
Autossuficiente na produção de sementes de soja e milho e importando sementes de flores e hortaliças, o Brasil tem a cadeia produtiva internacionalizada, importando adubos, defensivos e bioinsumos, com tratores, máquinas e equipamentos estrangeiros e o transporte em caminhões também de marcas internacionais.
Dependendo de tecnologia de ponta importada e pagando royalts sobre os equipamentos adquiridos de indústrias multinacionais, o setor agrícola exporta grande parte da produção diretamente das lavouras, sem qualquer forma de beneficiamento que possa agregar valor, desenvolver tecnologia e gerar empregos mais qualificados e bem remunerados.
Lembrando ainda que grande parte da produção recebe elevados subsídios governamentais por meio de financiamentos com juros reduzidos, baixa carga tributária e recorrentes refinanciamentos para quitação de dívidas contraídas com bancos ou empresas de origens estrangeiras.
Para reverter a condição de meros exportadores de matérias primas brutas ou, em primeira análise, da própria fertilidade do solo, é preciso produzir nossos fertilizantes, investir na criação de agroindústrias, na tecnologia da mecanização agrícola e fabricar nossos tratores, implementos e até caminhões e colheitadeiras, para finalmente criar a verdadeira agricultura nacional.
Na linha de frente do fomento agrícola, as cooperativas nacionais têm papel fundamental para diversificar atividades e, em vez de apenas intermediar a produção, deve também investir na industrialização para que a agricultura brasileira tenha muito mais valor.
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