“…os pais não são anjos e muito menos demônios…”
Estudiosos do comportamento e da psicologia humana atribuem à paternidade o exercício de uma nobre arte, de difícil domínio e de prazeroso resultado, quando a criação é a esperada, ou seja, quando o filho atende às expectativas do pai e da sociedade e se torna um indivíduo bem resolvido, consciente e feliz.
Diante da complexidade das metas a serem cumpridas, como uma espécie de missão do pai de fazer do filho um ser independente, autônomo, livre e agradecido pela criação que recebeu, é que se avalia a importância da figura paterna.
A sabedoria patriarcal na criação dos filhos é saber dosar a liberdade com a responsabilidade e a autonomia com o respeito, sem jamais cercear a voluntariedade nata do filho a ponto de criar dependência permanente, e muito menos soltar as rédeas a ponto de formar um aventureiro irresponsável.
Um dos grandes desafios dos pais presentes e conscientes é saber deixar os filhos enfrentar os riscos e as frustrações naturais da vida para que aprendam a superar desafios, mas sem deixar de oferecer a certeza de que existe proteção e, principalmente afeto, mesmo diante dos possíveis fracassos.
Outro grande desafio dos pais é entender e aceitar que os filhos são feitos para viver as próprias vidas, para voar com as próprias asas e enfrentar os desafios do mundo com os recursos que detêm, sem mais compartilhar seus sonhos, esperanças ou dores com aquele que o forjou.
Mesmo na condição de independência que necessariamente os filhos devem adquirir, a figura paterna irá permear seu caráter, sua forma de pensar e até de agir, tanto para o bem como para o mal, pois os pais não são anjos e muito menos demônios e, como humanos, erram e acertam na criação e nos exemplos que oferecem aos filhos.
Como aquele que apresenta o mundo real aos filhos, os pais são os olhos, os ouvidos, a boca, as pernas e todos os sentidos e sentimentos que formam os indivíduos aptos a viver em sociedade e a construir a própria história com absoluta autonomia.
Neste contexto, cabe ao pai transmitir os limites e as regras e oferecer a segurança material e emocional possível, desempenhando papel fundamental no desenvolvimento saudável e equilibrado do filho, que deve entender que seu pai é fruto de uma criação e que, portanto, só pode e consegue transmitir aquilo que aprendeu e apreendeu e, como arte sagrada, deve superar o círculo vicioso negativo ao evitar os erros passados e incentivar os acertos futuros.
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