“…dirigentes políticos e empresariais preferem negociar com as lideranças do crime…”
Para muitos estudiosos da Segurança Pública, a exemplo de México, Venezuela, Colômbia, Equador e Suriname, entre vários outros, o Brasil já deve ser classificado como um Narcoestado, como se denominam os países onde existe o domínio ou associação do crime com a política e as instituições públicas e econômicas.
Para constatar a presença de organizações criminosas em nosso meio não é preciso estudo e muito menos pesquisa, pois o próprio noticiário e a simples observação do cotidiano provam que a sociedade está sofrendo com o crime, convivendo com criminosos e assistindo a criminalidade crescer.
Uma pesquisa do Departamento de Jornalismo da TV Record de Televisão aponta a existência de 53 organizações criminosas em atividade no Brasil, que se somam às muitas milícias, associadas às polícias e ao numero incalculável de quadrilhas e bandos que se especializam nos mais diversos tipos de crimes.
A cooptação de instituições nas áreas da segurança, da justiça, do transporte público e também das licitações, o domínio de territórios pelo controle da circulação de pessoas e de mercadorias, e a cobrança de taxas, são os exemplos mais eloquentes da capitulação do Estado brasileiro pelo crime.
Grandes empresas áreas e de ônibus dominadas por facções criminosas, associação com grupos financeiros para lavagem de dinheiro, financiamento de estudos para bandidos e de campanhas eleitorais para vereadores, deputados e senadores, sem contar o transporte de drogas em avião presidencial, são provas inequívocas da situação atual de descalabro institucional que experimentamos.
Sem medidas concretas para reverter o quadro, dirigentes políticos e empresariais preferem negociar com as lideranças do crime para manter o falso equilíbrio e ainda auferir vantagens financeiras e pessoais.
O desmantelamento de quadrilhas especializadas atuando em pequenas cidades, como se verificou recentemente em Palmital, incluindo a associação de criminosos de dois estados vizinhos, como raramente acontece no combate ao crime, provam que a bandidagem está interiorizada, muito bem infiltrada e bastante organizada.
Quando o policial bate à porta de um vizinho envolvido com o crime, significa que o crime também bate à porta de todos, uma vez que não é mais possível identificar o criminoso pela aparência, pelo estilo de vida ou pela atividade que exerce, uma vez que, no Narcoestado, todos são suspeitos.
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