A implosão da República

“…é mais fácil participar e usufruir da corrupção do que agir dentro das regras…”

Entre os termos mais usados pelos políticos brasileiras estão Democracia, Estado de Direito e Instituição Republicana, sempre como sinônimos de respeito à Constituição Federal, às leis e aos valores éticos e morais que devem nortear as instituições de direito público.

Não obstante à pregação comum a políticos, agentes públicos e militantes das mais diversas matizes, os mantras ditos e repetidos quase sempre sucumbem à primeira proposta de vantagem pela corrupção, pelo desmando, por superfaturamento ou desvio de recursos públicos, como prova de que o interesse individual está acima do interesse público.

São muitos os agentes privados que, ao entender a forma perversa de funcionamento de grande parte do sistema público, preferem se aproveitar das defecções existentes a tentar corrigi-las, uma vez que a própria justiça, como instituição de equilíbrio entre os poderes, também se rendeu ao mecanismo.

Exemplos recentes, como os irmãos Batista, bilionários do grupo JBS, e Marcelo Odebrecht, herdeiro de uma das maiores construtoras do mundo, provam que é mais fácil participar e usufruir da corrupção do que agir dentro das regras e das leis.

O último grande escândalo nacional, protagonizado pelo inconsequente e ambicioso banqueiro Daniel Vorcaro, prova que os limites de princípios e honestidade são muito tênues, quase invisíveis.

Ao inflacionar absurdamente a conhecida e usual propina, o pequeno banco Master abriu todas as portas oficiais e se tornou fenômeno de captação de recursos públicos a troco de contratos milionários, doações vultosas, muita mordomia, bastante luxo e muita luxúria, seguindo o conhecido roteiro de cooptação de indivíduos maniqueístas e perversos que habitam os corredores do poder nacional.

Vorcaro iniciou o plano pelo Legislativo, onde estão os agentes mais suscetíveis e acessíveis; seguiu pelo Executivo, senão pelos detentores de nomes e cargos, mas atraindo assessores, amigos e parentes; chegando à Polícia, sempre uma presa exposta; até entrar no Judiciário, onde testou os limites monetários da eterna corrupção.

Assim se deu a implosão do sistema, quando a combinação impetuosa de vaidade, polarização, ideologia, religião e eleição se chocaram a ponto de derrubar as máscaras Lulistas e Bolsonaristas, da esquerda e da direita e de católicos e de evangélicos, com a exceção dos centristas, que esperam pelos escombros para reconstruir o mecanismo.

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Cláudio Pissolito

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