“…Senado se esquiva em adotar medidas saneadoras ao STF, justamente pela falta de estatura…”
A “sessão de descarrego” realizada pelo STF – Supremo Tribunal Federal – que serviu apenas para adiar as decisões sobre os questionamentos quanto à probidade de ministros do órgão máximo do Judiciário brasileiro, alcançou repercussão nacional e internacional.
Não obstante à vergonha que as instituições nacionais são expostas devido ao comportamento inadequado de grande parte de seus membros, a situação se reveste de péssimo exemplo aos demais órgãos, públicos e particulares, que se contaminam com os desmandos, as atitudes antiéticas e a ausência de autocrítica demonstrados publicamente.
As ofensas pessoais, as discussões acaloradas que ignoram o interesse público e as ameaças veladas ou explícitas entre os ministros da Suprema Corte Nacional provam que o poder constituído não se pauta pelas regras de respeito às normas legais, de comportamento ético espontâneo e pelo desejo de servir de espelho para as demais instituições.
Ao contrário, mostra que o colegiado investido do mais elevado cargo da República está apenas preocupado em defender os interesses e as posições de seus membros, em detrimento à instituição mais representativa do sistema democrático.
Entretanto, é preciso lembrar que os ministros do STF são indicados pelos presidentes da república e sabatinados e aprovados pelo Senado Federal, única instituição que tem poder para processa-los e julga-los em casos de crimes de responsabilidade e de propor leis que alteram as regras do Judiciário.
Mas, sofrendo os mesmos males e envolvidos em casos semelhantes de corrupção e desmandos, o próprio Senado se esquiva em adotar medidas saneadoras ao STF, justamente pela falta de estatura ética e moral de boa parte de seus membros que possuem processos pendentes de julgamento pela mesma Corte que devem fiscalizar.
A relação STF-Senado Federal é o retrato mais fiel da situação atual do sistema político e judiciário nacional, que sobrevive e se perpetua graças à manutenção do chamado “mecanismo” que protege os detentores dos poderes pela prática da chantagem entre seus membros.
A conhecida e recorrente política nacional do “rabo preso” mantém a maioria dos agentes públicos em estado de beligerância e de ameaças permanentes, enquanto os poucos idealistas ilibados e interessados no progresso e no desenvolvimento econômico e social do país são calados pelo sistema corrupto e corruptor sempre vigente.
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