“…a minoria silenciosa analisa o cenário com mais cautela e se torna o fiel da balança…”
Enquanto a grande maioria dos eleitores brasileiros vão às urnas absolutamente decididos, seja pela opinião própria ou pela influência ou conselho de terceiros, a maior parte munida de uma “colinha” para não errar os números, o reduzido número de indecisos é que deverá eleger o próximo presidente do Brasil.
As pequenas oscilações verificadas nas pesquisas de intenção de votos desde o início das campanhas provam que o humor, a observação e o cuidado daqueles que não fazem a escolha com antecedência é que definem os pleitos mais disputados.
Enquanto grande parte dos votantes escolhe um candidato para evitar o outro e que o índice considerável de 25% de eleitores de cada lado votam respectivamente nos ditos candidatos de direita ou de esquerda, a minoria silenciosa analisa o cenário com mais cautela e se torna o fiel da balança eleitoral.
O objetivo dos poucos indecisos reside na oportunidade de votar em alguém diferente, capaz de mudar o cenário político-econômico radicalizado, mas, sem encontrar esse nome na lista do TSE, analisa e julga a vida pregressa dos pretendentes e, sem encontrar soluções confiáveis, acaba escolhendo o menos ruim.
Em 2018, depois da cassação, justa ou injusta de Dilma Roussef, e da sucessão de escândalos protagonizados pelo PT, que permaneceu durante quase 15 anos no poder, o escolhido como menos mal foi Jair Bolsonaro, transformado em espécie de exorcista nacional.
Quatro anos depois, o mesmo salvador da pátria foi considerado pior que o próprio líder do PT, que acabara de deixar a prisão graças a manobras jurídicas levadas a efeito justamente para equilibrar o jogo político e evitar a reeleição daquele que frustrou expectativas, se comportou de forma vaidosa e agressiva e conquistou uma legião de inimigos.
Em mais uma etapa de polarização política exagerada, absurda e irracional, o eleitorado brasileiro, incluindo os indecisos, têm novamente apenas duas opções que representam ideologias extremadas inconsistentes, personalistas e quase perversas.
Os dois grupos antagônicos de fanáticos do Lulismo e do Bolsonarismo, assim como a grande legião daqueles que apenas votam contra as chamadas ideologias da esquerda ou da direita, mais uma vez estão reféns dos indecisos que deverão escolher o menos ruim, o menos perigoso ou menos corrupto, provando que o presidente do Brasil não é eleito pelas certezas, mas ungido pelas dúvidas do eleitor.
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