Os votos do cérebro e do fígado

“…a elevada taxa de rejeição de ambos os candidatos, empatados próximos de 50%…”

Na largada das campanhas eleitorais do segundo turno do pleito à presidência da república, mais uma vez entre dois grupos que se digladiam desde 2018, com o Lula e o PT desde 1989, o que se constata é a chamada fadiga de material, ou o cansaço do eleitor obrigado a escolher sempre entre os mesmos.

A prova inequívoca do esgotamento da polarização, que não é reconhecida e muito menos alterada como estratégia dos partidos políticos, é a elevada taxa de rejeição de ambos os candidatos, próxima de 50%, em situação antagônica que obriga o eleitor a votar contra um deles.

A imposição política, social e até moral do cidadão de manifestar a preferência por um dos polos, sob pena de ser considerado “isentão” ou de “subir o muro” faz com que aqueles que escolhem mais com a razão e menos com a emoção representem a minoria insuficiente para alterar o quadro atual.

Sem o voto mais qualificado, daqueles que analisam o histórico pessoal, o passado e o presente profissional e político dos candidatos, e que se interessam em conhecer os planos e os objetivos dos grupos que os cercam, a qualidade perde importância e as portas para criminosos e aventureiros são abertas.

Para disputar os poucos votos restantes, que podem ou não decidir o segundo turno, os candidatos devem iniciar uma escalada perigosa de acusações mútuas, que fazem com que os desmandos e a improbidade sejam normalizadas aos olhos do eleitorado que têm a própria consciência corrompida.

Outra certeza é o derramamento de promessas vazias, sempre de última hora e sem base factual, junto com a fuga de temas pertinentes e de qualquer comprometimento que possa ser cobrado no futuro, tornando as peças publicitárias, as entrevistas e os debates como grandes engodos de manipulação do eleitor.

Esse pequeno hiato entre o primeiro e o segundo turno é mais uma oportunidade de reflexão para o eleitorado, que pode observar como se comportam os candidatos diante de resultados positivos e negativos, quem são seus verdadeiros parceiros e apoiadores secretos, que se revelam depois das urnas abertas, como agem sob a pressão de debates individuais, que tipo de discurso é adotado no período e se finalmente serão discutidos os temas de interesse nacional.

Mais importante do que observar, julgar e escolher sob influência do momento, é tomar a decisão com o uso do cérebro e não do fígado, como propõem ambos os candidatos.

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Cláudio Pissolito

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