“…decadência moral, ética e de propostas da política nacional…”
O esperado primeiro debate na TV entre os presidenciáveis brasileiros, cuja escolha em segundo turno será no próximo domingo, retratou fielmente a condição de decadência moral, ética e de propostas da política nacional, representada por um jovem e um idoso, ambos com longa vivência na atividade pública.
Os ditos “números elevados de audiência” não são sequer representativos do eleitorado, com menos de 10 milhões em alguns momentos em todas as plataformas, enquanto uma final de futebol pode chegar a 65 milhões, provando que a grande maioria simplesmente ignorou aquela que deveria ser a melhor oportunidade para avaliar os candidatos.
Seguindo a tendência das pesquisas de intenção de votos, os poucos que perderam tempo na frente da TV ou nas plataformas digitais se comportaram como torcida de futebol, que só consegue ver o desempenho da própria equipe durante o jogo, já que mais de 40 % se encantaram com as molecagens do Flávio Bolsonaro e outros mais de 40% se deliciaram com a falta de posicionamento de Lula.
Os poucos indecisos, que de fato podem decidir a eleição, devem ter sentido ainda mais rejeição pelas duas figuras que se mostraram abjetas e apenas ofereceram motivos para que mantenham a indecisão.
Os 16 veículos de comunicação internacionais no evento, que junto aos brasileiros somaram 71 diferentes órgãos de imprensa, com 128 profissionais envolvidos, certamente levaram a mesma impressão negativa, como mostram as reportagens e as análises.
O esperado debate entre as duas forças políticas majoritárias no maior país da América do Sul apenas reforçou a condição de apequenamento das lideranças, de desapreço pelas instituições e de falta de respeito para com o principal cargo da nação brasileira.
O comportamento infantilizado, debochado e hipócrita de Flávio Bolsonaro, que reproduziu fielmente o “estilo cadeirada” criado pelo atual guru da direita brasileira, o aprendiz de ilusionista Pablo Marçal, teve como resposta a tática de guerrilha digital do guru da esquerda, André Janones, que ensina a “espelhar” o que há de pior no adversário, como mal reproduziu Lula no debate da vergonha nacional.
Como representante de uma nova geração de políticos, Flávio deveria se mostrar sério, apresentar propostas inovadoras e provar que pode mudar futuro, mas não o fez; enquanto Lula poderia repreender o adversário e faze-lo se enquadrar às regras, mas não conseguiu fazer.
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