“…a melhor forma de dominar os efeitos da natureza é utilizando os métodos naturais…”
O conceito cidade-esponja, criado pelo arquiteto paisagista chinês Kongjian Yu, que por coincidência morreu em recente acidente aéreo no Brasil, é o modelo de planejamento urbano que prevê a retenção, a absorção, a filtragem e a reutilização da água da chuva da forma como acontece nos ciclos naturais.
A principal finalidade é evitar inundações e, ao mesmo tempo, abastecer os lençóis freáticos de onde se retira água potável pelas nascentes e poços, substituindo as canalizações em nível e as galerias subterrâneas artificiais pelas soluções baseadas na natureza.
A princípio, a mudança de conceito pode parecer medida drástica, de difícil implementação, mas é bom lembrar que a melhor forma de dominar os efeitos da natureza é utilizando os métodos naturais, uma vez que as soluções artificiais são muito mais caras e de pouca duração.
Entre os métodos do conceito cidade-esponja está a construção de pequenas caixas de absorção de água no lugar das bocas de lobo, sempre na sequência do fluxo da água que segue a ordem física e estrutural definida pelo projeto de drenagem, desde o topo da via até as partes mais baixas, que acabam recebendo muito menos volume.
Outra medida é a criação de áreas de infiltração, em nível ou subterrâneas, em vários pontos da cidade, principalmente em praças e espaços ociosos, sempre como forma de evitar a formação de enxurradas e garantir a reposição das águas do subsolo, cada vez mais escassas.
Em Palmital, o abandonado Estádio Manoel Leão Rego, antigo campo do PAC, é ideal para se criar uma enorme área de infiltração de água, do tipo piscinão, que certamente irá aumentar a vazão das nascentes do Horto Florestal Municipal de forma natural e manter a segurança do abastecimento da população, utilizando as laterais para áreas de lazer.
Como exemplos temos Joinville, que adotou calçadas drenantes em camadas subterrâneas com blocos porosos e aberturas no meio-fio, que recebem as águas, e São Paulo, que utiliza “Jardins de Chuva” e “Biovaletas” em calçadas e esquinas com canteiros rebaixados que absorvem enxurradas, além de Campinas, em cujos bairros planejados existem biovaletas e canteiros pluviais que funcionam exatamente como caixas e canais de biorretenção ao longo das vias.
São sistemas tecnicamente simples, que podem ser adotados de forma paulatina e que exigem apenas manutenção periódica para evitar a impermeabilização e, que, para viabilizar, basta iniciar.
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