Médico foi preso em clínica da cidade nesta segunda-feira (5) e transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade. Vítima disse que não conseguiu reagir, se sentindo acuada e, que foi o namorado que a alertou que tinha sofrido violência sexual.
Uma jovem de 19 anos ue denunciou um ginecologista por estupro durante uma consulta em Suzano contou à polícia que se sentiu acuada e não conseguiu reagir, apesar de ter dito ao médico que não estava se sentido à vontade durante os procedimentos. Foi o namorado quem a alertou, mais tarde, que ela tinha sido vítima de abuso sexual.
A consulta foi em setembro e a vítima registrou um boletim de ocorrência de estupro. O médico José Adagmar Pereira de Moraes, de 41 anos, foi preso nesta segunda-feira (5). Há ainda outras denúncias contra ele.
A jovem agora convive com o trauma. “Não consigo dormir, acordo chorando, não consigo me relacionar com o meu namorado. Estou travada. Não tenho mais vida”, disse.
A estudante relatou à polícia que, durante a consulta, disse ao médico que buscou ajuda profissional porque sentia dores ao manter relações com o namorado. “Ele falou que o meu problema era psicológico e aí foi que ele perguntou, fez umas perguntas íntimas, e falou que o meu tratamento primeiro seria ter relações sexuais com outros homens”, contou.
A vítima ainda contou que o médico pediu que ela tirasse a roupa e ficasse nua na frente dele. “Tocou as minhas partes íntimas, falou para eu deitar na maca, aí ele deitou, colocou o avental e colocou a mão dentro da minha vagina, falou se eu estava me sentido confortável e eu falei que não”, disse.
“Ficou me massageando e falando se eu estava sentindo prazer e eu falava toda hora que eu estava desconfortável. E ele continuava”, lembra.
A vítima contou ainda para a polícia que ficou muito constrangida durante a consulta e dizia ao médico que não estava se sentindo à vontade.
O caso foi registrado como estupro e a Justiça autorizou mandado de prisão contra o médico, que foi cumprido nesta segunda em uma clínica particular de Suzano. Os policiais aguardaram entre uma consulta e outra para fazer a abordagem. Segundo a polícia, o médico não reagiu à prisão e disse estar sendo vítima de um complô de várias mulheres que querem prejudicá-lo.
Uma outra vítima, de 23 anos, registrou outro boletim de ocorrência contra o médico na capital. A consulta neste caso foi em agosto, mas o registro de “violação sexual mediante fraude” na polícia de foi registrado em setembro.
A mulher disse que durante a consulta o médico fez perguntas maliciosas como: “Se eu pedir para tirar a roupa aqui, na minha frente, você tiraria?”, “Como você ficaria?”. Na hora do exame de toque, segundo a paciente, ele pediu para realizar o procedimento sem luvas e para a paciente se tocar. O médico também teria repetido várias vezes a frase: “O que acontece aqui, fica aqui”, exatamente como teria falado para a vítima de Suzano.
“Toda hora falava ‘O que acontece no consultório tem que ficar dentro do consultório’”, lembra a estudante.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/8/X/H81AYyT8O8NbaCOW2h9Q/vitima-de-abuso-sexual-por-ginecologista-em-consultorio-de-suzano.png)
Ainda de acordo com a polícia, há ainda um caso em Pernambuco, onde José Adagmar Pereira de Moraes começou a carreira.
O namorado, agora, busca apoiar a vítima de Suzano. “Eu acredito que neste mundo, como a gente sabe o quanto ele é machista, e a mulher às vezes fica constrangida de contar até para o próprio companheiro, porque a gente sabe da cultura que existe no nosso País e que pode acontecer também do companheiro rejeitar ela ou de achar que o erro fosse dela, de achar que a culpa fosse dela. E a culpa não é da vítima. Ela foi vítima”.
A delegada do caso disse que o suspeito se apresentou com um advogado na manhã de segunda, mas depois passou a contar com outro defensor. À tarde, um delegado de Pernambuco enviou uma procuração para a delegacia comunicando que estava assumindo o caso. O Bom Dia Diário não conseguiu contato com o advogado.
O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) também foi consultado, mas informou que todas as sindicâncias e processos-éticos estão sob sigilo.
FONTE: G1













