Guerra da vacina

“…é a política sórdida que pauta as medidas meramente administrativas.

A politização é o retrato do Brasil que se diz democrático, pois a sanha pelo poder corrompe ideologias, idealismos e afasta os melhores nomes das eleições que são monopolizadas pelos profissionais da política nacional mantida com caixa dois, compra de votos e corrupção.

Com o legislativo fisiológico por natureza e o judiciário corrompido e desacreditado devido a juízes que decidem com a jurisprudência do interesse pessoal, os executivos, que detêm os orçamentos, se tornam inimputáveis em escabrosas negociações continuadas de compra de votos e sentenças favoráveis aos mandatários.

Não obstante ao histórico nefasto que condena seguidas gerações ao atraso cultural e moral, já que as pessoas e a própria imprensa passam a entender os governos pelo modus operandi que se perpetua, as seguidas crises econômico-financeiras, assim como a eterna crise de saúde pública, também servem para atacar adversários ou como meio de promoção pessoal e de partidos.

A pandemia do Coronavírus, da qual nos tornamos o epicentro do mundo devido à falta de leitos, de cumprimento de normas e, principalmente, de vacinas, é prova inequívoca de que estamos à mercê dos caprichos e das malandrices da pior política.

A falta de planejamento do Ministério da Saúde, que dividiu governadores e prefeitos interessados em bajular o governo ou apenas detrata-lo, também fragmentou a opinião púbica refém de informações contraditórias.

Depois de atrasar negociações por imunizantes sem buscar todos os fornecedores com a antecedência que um grande país necessita, e ainda maldizer a China, a principal fornecedora de insumos, finalmente começa a se falar em vacinação em massa devido ao “efeito Lula” que ainda assusta muita gente. Mais uma vez é a política sórdida que pauta as medidas meramente administrativas.

Para completar o tempero do caldeirão de incertezas, a Justiça autorizou municípios e estados a negociar vacinas de forma individual, o que já acontece com a iniciativa privada, e que certamente vai fazer prevalecer a nossa eterna injustiça social e econômica.

Caso as medidas se concretizem, pode haver corrida às cidades e aos estados, com possibilidade de mais contaminações, de fraudes e uso político de um bem inestimável que deve ser universal e justo.

Cidades, estados e pessoas com mais poder aquisitivo terão vacinação, enquanto os mais pobres e menos informados dependerão da compaixão eleitoral.

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Cláudio Pissolito

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