“…se o conservadorismo fosse unanimidade em todos os tempos, estaríamos vivendo a idade da pedra.”
A segunda-feira, 28, foi o Dia Internacional do orgulho LGBTQIA+, uma data simbólica na luta por direitos daqueles que se enquadram em alguma letra da sigla.
A data foi escolhida porque, neste dia, em 1969, frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, iniciaram uma manifestação de seis dias de protestos contra as batidas e revistas policiais em bares das comunidades lésbicas, gays, trans, etc.
No Brasil, com alguns avanços na sociedade e na legislação, é possível afirmar que a aceitação aumenta, mas na mesma proporção em que cresce a intolerância, as vezes inexplicável, pois como manda o bom senso, cada qual deve cuidar da própria vida.
É certo que todos tem direito a manifestar a sexualidade de forma livre, harmoniosa, de acordo com suas vontades e desejos, já que a OMS – Organização Mundial da Saúde – a define como uma energia motivacional que impulsiona o ser humano ao amor, ao contato e à intimidade.
Assim, se definem a identidade de gênero, a orientação sexual e as demais experiências possíveis a cada indivíduo, desde que sejam respeitadas a vontade e a liberdade alheia, sem qualquer forma de violência ou imposição que possa causar o mínimo constrangimento.
Também é certo que, no posicionamento das muitas comunidades além da heterossexualidade, existe certo exagero, até mesmo na identificação por uma sigla que cresce a cada dia e que poderia ser resumida apenas como representantes da “diversidade”, pois a intolerância e o preconceito estão sempre presentes diante das lutas das minorias.
A afirmação das condições humanas que fogem aos padrões comportamentais deve ser mais didática do que desafiadora, pois a sociedade é, quase sempre, conservadora. Entretanto, é bom lembrar que, se o conservadorismo fosse unanimidade em todos os tempos, estaríamos vivendo a idade da pedra.
Na segunda-feira, 28, o ministro Gilmar Mendes, do STF – Supremo Tribunal Federal, determinou que o SUS altere seu sistema de informação para permitir consultas e exames independentemente do registro do sexo biológico, aceitando apenas a autodeclaração de gênero.
Também será preciso alterar a declaração de Nascido Vivo, primeiro documento do recém-nascido, que agora terá a categoria “parturiente”. Os espaços de “pai” e “mãe” serão exclusivos aos representantes legais, que terão vínculos de paternidade com a criança. A medida é boa, mas é bom lembrar Confúcio: “Ultrapassar limites não é um erro menor do que ficar além deles”.













