Uma discussão em bar de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, na noite de segunda-feira, terminou com três pessoas mortas e outras três feridas. O homem que abriu fogo só foi contido com a chegada da Polícia Militar. Ele acabou sendo baleado por policiais. A Guarda Municipal do Rio informou que o autor dos disparos é Fábio Damon Fragoso da Silva, de 46 anos, um agente da corporação, e que e já foi aberto processo disciplinar para apurar a conduta do guarda municipal.
De acordo com a PM, todos os envolvidos se conheciam. Os assassinatos aconteceram na Rua Mauro. Os mortos foram identificados como André da Silva Ramos, Delcio Fernando Gonçalves Silva e Anderson Pinto Lourenço. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. No fim da manhã, familiares das três vítimas já estavam no Instituto Médico-Legal (IML) para liberar os corpos. O secretário de Ordem Pública, delegado Brenno Carnevale, solidarizou-se com os parentes das vítimas e classificou a atitude do servidor público como “inadmissível”.
— Qualquer ato de violência oriundo de agentes da Guarda Municipal ou da Seop é inadmissível. Não toleraremos desvios de conduta em hipótese alguma. A Corregedoria da Guarda Municipal já está tomando as providências cabíveis — afirmou Carnevale ao GLOBO. — Minha solidariedade às vítimas. A Secretaria de Ordem Pública prestará todas as informações necessárias para as autoridades policiais — acrescentou o secretário.
O crime aconteceu por volta das 22h, em um bar movimentado da região. Fábio, mais conhecido como Bomba, teria discutido com pessoas que estavam no local e atirado contra elas com uma pistola, após se irritar com uma brincadeira do grupo. Segundo uma das testemunhas, a pergunta “Por que você está de cara feia”, feita por um homem no bar, teria motivado o ataque do guarda municipal. Vizinhos dele lembraram que Fábio era “tranquilo”.
Após a pergunta, Fábio teria ido em casa, buscado a arma, voltado e executado os amigos. No trajeto ele encontrou Lucas Ferreira de Souza Alves, de 25 anos. O militar do Exército, que foi baleado por Fábio, ainda tentou correr e foi ajudado por Anderson. Lucas estava em casa quando ouviu os tiros e saiu para ver o que estava acontecendo, mas foi baleado antes de deixar o prédio. Os disparos atingiram o rapaz no ombro e no abdômen, e ele perdeu um rim.

Quando os policiais militares do 16º BPM (Olaria) chegaram ao local para verificar a ocorrência, houve um novo tiroteio. O suspeito ainda chegou a atirar contra a viatura onde os agentes estavam, segundo informações da PM. Os agentes não se feriram. Os feridos, incluindo Fábio, foram levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. A direção da unidade de saúde nformou que os paciente Antônio Pereira de Souza, 62 anos, e Fábio têm quadro clínico estável. Os pacientes Lucas Ferreira de Souza Alves, 25 anos, e Wilson Lima Fraga, de 58, apresentam estado de saúde grave.
Morto ao socorrer ferido
A coordenadora administrativa Maria Lúcia Cabral de Souza, de 52 anos, contou que o marido, Anderson Pinto Lourenço, de 47 anis, morreu após tentar ajudar um jovem que estava baleado. Lotado na Câmara Municipal dos Vereadores, ele era morador do bairro há muitos anos. O assessor morreu minutos após chegar do trabalho. Ele conversava com PMs quando foi atacado por Fábio, segundo relato da viúva.
— Ele estava deitando e vendo TV após o trabalho. Coloquei a janta e escutamos muitos tiros. Não sabíamos de onde veio. Fomos na janela e ele disse iria lá ver o que estava acontecendo. Eu pedi pelo amor de Deus para ele não ir, mas ele foi e ficou na portaria. Nisso passou um menino baleado e a esposa pediu ajuda. Ele foi ajudar, entrou no carro do ferido e foi socorrê-lo. Nisso a PM veio e ele foi falar com os agentes. O Fábio então novamente disparou e acertou o meu marido com dois tiros. A gente não sabe o que aconteceu — contou a mulher. — Eles disseram que há algum tempo o Fábio surtou e quebrou vários carros na Avenida Brasil.
Maria disse que a “convivência entre eles era normal” e ambos frequentavam a mesma academia.
— A gente malhava juntos. Nunca tivemos problemas. Estou pasma. Meu marido era trabalhador e ele morreu para dar ajuda. Como sempre ele ajudava as pessoas. Ele morreu tentando salvar a vida de outra. Vão ficar boas recordações. Ele era dedicado.
Anderson era lotado no gabinete do vereador Ulisses Marins (Republicanos) desde o começo do ano.
O vendedor Iroino Pinto Lourenço, de 58 anos, contou que Anderson era o caçula de quatro irmãos.
— Eu não tinha o que reclamar dele. Ele morava lá há nove anos. Ele tem um filho de 17 anos que vai ir para o quartel. O cara destruiu a vida se quatro famílias.
Produtor escapou após arma falhar
O produtor de eventos Paulo César Silva Motta Júnior, de 40 anos, disse que o guarda municipal apontou a arma para ele e tentou atirar duas vezes. No entanto, a pistola falhou. Paulo conta que todos eram amigos e se conheciam havia anos.
— (Eu estava no bar) e na hora da novela fui jantar. Depois, quando eu escutei os disparos, eu desci. Dois amigos estavam baleados e ele apontou a arma para mim e tentou dar dois tiros. Mas a arma falhou. Eu corri e ele baleou o menino do Exército. Foi uma coisa banal. Eles perguntaram por que ele estava com a cara amarrada. Tudo foi muito rápido. Por sorte ele não me matou — diz o produtor de eventos.
Fábio não tem passagens e nenhuma anotação criminal, segundo a Polícia Civil. Nas próximas horas testemunhas e familiares prestarão depoimento da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A Guarda Municipal do Rio ainda não esclareceu se o agente tinha porte e posse de arma de fogo. A GM do Rio não permite que seus agentes tenham armamento.
Fonte: G1













