Suspeito, que é coronel aposentado da PM, se apresentou na delegacia três dias após o crime, cometido domingo (31). Nesta quinta (4), Justiça decretou a prisão temporária do oficial; motivo foi passional.
O laudo necroscópico do corpo de Daniel Ricardo da Silva, que foi morto a tiros quando chegava para trabalhar em um motel de Marília (SP), aponta que ele foi atingido pelas costas. Segundo o delegado seccional Wilson Frazão, a polícia confirmou que os disparos foram realmente efetuados pelo dono do local, Dhaubian Braga Brauioto Barbosa, de 57 anos, que é coronel da PM aposentado.
O coronel se apresentou na delegacia na noite desta quarta-feira (3) e na quinta-feira (4) teve a prisão temporária decretada. Ele alegou legítima defesa (veja mais abaixo).
“As investigações começaram logo após o crime e ainda prosseguem, mas já sabemos que o laudo necroscópico indica que a vítima foi atingida por tiros pelas costas. Ainda temos mais laudos e exames periciais para receber, depoimentos para colher, e um prazo inicial de 30 dias para concluir o inquérito, que pode ser prorrogado por mais 30 dias”, explicou Frazão, durante a coletiva.
O crime aconteceu no motel, que fica às margens da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, quando Daniel Ricardo chegava para trabalhar na manhã do domingo (31). Segundo a polícia, o crime teve motivação passional.
“A motivação foi passional. A vítima mantinha um relacionamento com a esposa do oficial, o que ficou comprovado inclusive no depoimento dela, que também é policial militar”, afirma o delegado seccional.
Depoimento
Segundo o delegado, o policial afirmou que descobriu o relacionamento e foi conversar com a vítima, que estaria armada e esboçou reação de sacar a arma, o que causou sua reação.
“A arma do crime ainda não foi localizada e o coronel alega que a deixou no local. Ao lado do corpo havia uma arma da PM, mas que é da esposa do suspeito, também policial militar. No entanto, nada indica que essa arma foi ou estivesse sendo utilizada pela vítima. Agora a gente trabalha para colher mais provas e identificar a arma usada no crime”, disse Frazão.
Prisão temporária decretada
Três dias após o crime, o coronel aposentado se apresentou nesta quarta-feira (3) na Central de Polícia Judiciária de Marília, onde prestou depoimento sobre o caso.
No início da tarde desta quinta-feira (4), durante audiência de custódia, a Justiça confirmou a prisão temporária, por 30 dias, do oficial da reserva. Por ser da PM, o suspeito foi transferido para o presídio militar Romão Gomes, na capital paulista.
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Durante a audiência, o coronel aposentado permaneceu algemado. A juíza Josiane Patrícia Cabrini Martins Machado justificou a decisão de uso de algemas pelo fato de o acusado ter fugido após o crime e “poder ter uma atitude instintiva de busca pela liberdade”.
Um dia antes da apresentação do coronel, a equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), responsável pelas apurações do caso, encontrou um arsenal na casa do suspeito. Diversas armas e munições foram apreendidas, entre elas um fuzil.
A defesa do coronel reforçou que ele compareceu espontaneamente à delegacia e que está cooperando com as investigações. Informou ainda que a princípio, vai aguardar a investigação e a apresentação das provas para depois entrar com um pedido de Habeas Corpus.
Cena do crime alterada
A Polícia Civil afirmou também que investiga uma possível alteração feita na cena do crime logo após os disparos. Segundo Frazão, essa alteração pode ter acontecido no intervalo de tempo entre o crime e a chegada da PM ao local.
“Pelas imagens que temos, o crime foi às 6h da manhã e a PM chegou às 8h. Nesse intervalo o local foi mexido, e dentre as alterações está a retirada da cena do crime de um celular, que depois foi localizado”, disse Frazão.
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Segundo a Polícia Civil, o ajudante Daniel Ricardo da Silva foi baleado com três tiros quando chegava. Ele morava em um cômodo nos fundos do motel. Já o suspeito mora em propriedade rural ao lado do estabelecimento.
A DIG recolheu imagens do circuito de segurança do prédio. As imagens, que não foram divulgadas, devem ajudar com a apuração do caso.
FONTE: G1













