Unesp abre processo administrativo para investigar denúncias de assédio sexual de alunos contra professor

Manifestações referentes à conduta do docente Marcelo Magalhães Bulhões foram expostas em cartazes dentro do campus, em Bauru (SP). Processo representa a última instância e foi aberto na segunda-feira (23).


A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, no interior de SP, concluiu a sindicância independente, aberta em julho do ano passado, e instaurou um processo administrativo para investigar as denúncias de assédio sexual feitas por alunos contra um professor.

As manifestações referentes à conduta do docente Marcelo Magalhães Bulhões foram expostas em cartazes dentro do campus, no dia 1º de julho de 2022, que mostram supostas mensagens que teriam sido enviadas por ele. Uma delas diz: “a verdade é que nosso desejo não passa” (veja acima).

Questionado pela imprensa, o docente informou que não foi notificado até o momento de qualquer abertura de processo administrativo. O professor disse ainda que “a sindicância já foi encerrada e consta expressamente do relatório que não há registros de situações de assédio sexual” relacionadas à sua pessoa.

Universidade investiga denúncia de assédio sexual feita por alunos contra professor em Bauru — Foto: Arquivo pessoal
Universidade investiga denúncia de assédio sexual feita por alunos contra professor em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

Em nota, a Unesp informou que os trabalhos foram finalizados pela comissão de sindicância, que entregou o relatório no dia 22 de dezembro do ano passado com o pedido de abertura do processo administrativo.

O processo representa a última instância e foi aberto na segunda-feira (23). Os trabalhos de investigação têm 90 dias para serem concluídos. A análise final do processo vai apontar se há possível pena disciplinar para ser aplicada ao docente, que pode variar desde advertência a exoneração.

g1 perguntou à Unesp se o professor está autorizado a ministrar aulas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Ele havia sido afastado preventivamente pelo prazo de 180 dias, a partir de uma recomendação da sindicância.

Ainda em julho do ano passado, três alunas do curso de relações públicas, que não foram identificadas, registraram boletim de ocorrência por importunação sexual na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) contra o professor. Elas narraram à polícia que, durante as aulas, o professor Marcelo Bulhões costuma fazer comentários com conotação sexual.

Em relação à investigação, a DDM informou que um inquérito está em andamento e que ainda precisa ouvir uma ex-aluna. O investigado será o último a prestar depoimento.

Manifestações

Estudantes da Unesp de Bauru protestam contra professor após acusações de assédio sexual  — Foto: Arquivo pessoal
Estudantes da Unesp de Bauru protestam contra professor após acusações de assédio sexual — Foto: Arquivo pessoal

Na ocasião, os estudantes da Unesp se reuniram no campus da instituição para fazer manifestações contra assédio sexual. Uma aluna, que preferiu não se identificar, participou do ato, que começou às 19h e durou cerca de duas horas.

Durante todo o período, segundo ela contou, os estudantes ocuparam vários espaços do campus. A estudante lembra que eles gritavam frases como “assédio aqui não”.

“O corredor todo cheio, estimo cerca de 100 a 200 pessoas. Tem muita gente ciente disso. O que a gente mais ouviu das falas são meninas que lembram que no primeiro dia de aula foram avisadas para tomar cuidado com o professor Marcelo Bulhões”, ressalta.

Estudantes da Unesp protestam contra professor após acusações de assédio sexual

Conforme a estudante, manifestações como esta são de suma importância para reforçar que abusos e assédios sexuais não devem ser tolerados. A universidade, de acordo com ela, deveria ser um local seguro, já que muitos batalharam para estudar ali.

“Não devíamos ter medo de ter aula. É principalmente mostrar que temos muita força como estudantes, somos mais de seis mil na Unesp de Bauru. Nós temos voz, o movimento estudantil nunca parou e precisa cada vez mais engajar. Não podemos aceitar que isso aconteça”, finaliza.

Para a aluna, é revoltante saber que o professor já esteve impune de outras acusações e processos instaurados na Unesp (entenda abaixo).

Estudantes da Unesp protestam contra professor após acusações de assédio sexual  — Foto: Arquivo pessoal
Estudantes da Unesp protestam contra professor após acusações de assédio sexual — Foto: Arquivo pessoal

Outras investigações

Essa não é a primeira vez que o professor Marcelo Bulhões é denunciado por assédio. Em 2017, segundo a Unesp, foi instaurada uma apuração preliminar na instituição para investigar as denúncias de assédio contra o docente.

Como procedimento, foi instaurada uma sindicância administrativa, finalizada em 2018. Ainda de acordo com a Unesp, uma comissão sindicante, à época, indicou o arquivamento dos autos com recomendações, tais como instauração de mecanismos para fomentar medidas educativas e elucidativas sobre assédio.

“A FAAC defende a dignidade humana e é pautada por princípios que visam garantir o respeito e convívio harmônico em quaisquer circunstâncias e locais, especialmente em sua ambiência acadêmico-laboral. Nesse sentido, afirma que não medirá esforços para colaborar com as soluções de qualquer fato oficialmente demandado, tomando as medidas cabíveis, seguindo os protocolos administrativos com ética, responsabilidade e transparência”, informou a nota técnica.

Fonte: G1

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