A Copa do Mundo do racismo globalizado

“…a distância econômica e social entre colonizadores e colonizados.”

Paralelamente ao grande torneio denominado Copa do Mundo de Futebol, maior evento esportivo mundial e provavelmente o que mais atrai interesse e audiência em escala global, acontecem também os fenômenos mercadológicos, políticos, sociais, de marketing e até mesmo racial ao reunir dezenas de nacionalidades nas principais sedes.

Com equipes representando países de todos os continentes, nesta edição com 48 seleções e previsão de 64 na próxima, o evento mundial se transforma em caldeirão cultural, de idiomas, hábitos, costumes e tradições.

Muito além da celebração de culturas que propicia o intercâmbio de tradições com a troca de camisas e adereços entre rivais, de integração gastronômica pela oferta de comidas tradicionais e integração musical nas manifestações multiculturais, e de vitrine do país sede, que supera estereótipos e preconceitos, é com observações mais apuradas que se identificam as mazelas históricas impregnadas em cada povo.

O preconceito e a discriminação racial são, certamente, as constatações mais evidentes e lamentáveis, principalmente de brancos contra negros e de ricos contra pobres.

Seleções da França, Inglaterra e Alemanha incluem em suas escalações grande número de jogadores pretos, muitos oriundos de países africanos colonizados, enquanto nas torcidas, que pagam ingressos caros, observa-se a predominância de brancos, indicando a distância econômica e social entre colonizadores e colonizados.

Por outro lado, a Argentina, que importou grande número de africanos escravizados, provavelmente mais do que o Brasil na proporção das populações, tem a seleção formada exclusivamente por brancos e sequer um negro entre seus muitos torcedores bem instalados nos estádios caros.

Pretos alçados a ídolos unicamente pelo domínio da arte refinada do futebol e, consequentemente, elevados à condição econômica superior, contrastam com a população de descendentes ou de imigrantes negros que vivem nas periferias e na quase miséria dos países europeus e nórdicos mais desenvolvidos.

No caso da Argentina, o desaparecimento dos negros se deu pela política de embranquecimento da população, que relegou os ex-escravizados à condição de miséria e os integrou à linha de frente das guerras, como forma de dizimação, provando que o racismo do passado se mantém estruturado na economia e na sociedade globalizadas, como bem provou a Copa do Mundo.

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Cláudio Pissolito

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