A pane do mecanismo

“…tentáculos da corrupção que cooptou conhecidas lideranças das principais instituições da república…”

Uma série criada pelo diretor de cinema José Padilha, para a Netflix, batizou o corrupto sistema político brasileiro como O Mecanismo, ao se inspirar em fatos reais da Operação Lava Jato para retratar as perversas organizações de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos por meio da associação entre empreiteiros, políticos e empresas estatais transformadas em moeda de troca dos partidos.

A polêmica causada pela exibição, mesmo restrita a assinantes do streaming, ajudou a macular de forma definitiva os governos de esquerda e abrir as portas para a direita então representada pelo inexpressivo deputado Jair Bolsonaro.

O novo escândalo nacional, agora representado pelo Banco Master, que sucedeu outros escândalos financeiros menores, como o do Banco Panamericano, que garantiu impunidade a Silvio Santos, parece desafiar os limites do partidarismo e as fronteiras ideológicas.

Com potencial explosivo suficiente para emperrar O Mecanismo, devido ao alcance dos tentáculos da corrupção que cooptou conhecidas lideranças das principais instituições da república e de diversos partidos políticos, fica clara a interferência do sistema de abafamento para garantia da impunidade geral.

Dragados pelo mesmo escândalo, tanto o legislativo, como o executivo e o judiciário se tornaram reféns dos grandes corruptos líderes do esquema e que hoje detêm a perigosa e mortal arma da informação e das provas que podem ser permutadas pela delação que garante redução das punições.

A grande questão do momento é definir qual instituição da república brasileira é ilibada o suficiente para indiciar, investigar, provar e propor penas a todos os envolvidos sem precisar cortar a própria carne contaminada pelas mesmas bactérias, vírus e parasitas que estão causando a putrefação daquelas em julgamento.

Considerando que o grande esquema financeiro corrompeu de parlamentares a pastores, de juízes a matadores e de executivos a jornalistas e artistas, não se pode descartar a hipótese de um grande e abrangente acordo tácito para alongar o tempo de investigação, para causar exaustão, e depois terminar em mais um grande vexame de impunidade.

Por enquanto, parece que O Mecanismo está emperrado, sem muito combustível e propenso à pane geral que muito provavelmente será evitada para garantia da manutenção do sistema corrupto e corruptor que se perpetua no país desde os tempos da colônia.

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Cláudio Pissolito

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