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A vida tem seu ritmo e impõe suas exigências. Portanto, não há como disfarçar atitudes. Não dá para brincar de viver. Ou se assume a vida ou não se vive! E nisso nós temos um longo caminho a percorrer.

É um imperativo, da existência responsável, passar a vida em revista (fazer revisão), periodicamente, para ser possível enxergar melhor o que fazer, para onde ir e o que esperar. Essas são perguntas fundamentais e nós temos dificuldade em respondê-las.

Parece uma coisa automática: quase todas as vezes que algo está para acontecer, uma decisão está para ser tomada, uma escolha precisa ser feita, uma direção precisa ser definida ou uma espera precisa ser suportada, as pessoas correm ao encontro de práticas supersticiosas para ‘garantir’ um bom resultado naquilo que esperam.

O final-início de cada ano, por tudo o que traz de inseguranças, medos, expectativas, ansiedades, é repleto de práticas supersticiosas na alimentação, no vestuário, no comportamento… Não são poucos os que recorrem às simpatias, no final-início do ano e, também, o ano inteiro, como se fossem soluções e respostas para as questões da vida.

Esta busca vertiginosa e irracional explica-se pela visão mágica das coisas, próprio do imaginário infantil. De fato, quando criança, o indivíduo raciocina a vida como que impregnada por algumas forças que determinam o seu destino. Isso não seria tão nocivo se não estivesse tão enraizado no sentido de vida das pessoas.

No imaginário infantil é plenamente compreensível a visão mágica das coisas. Mas as crianças crescem e são envolvidas por exigências próprias da idade em que se encontra. São Paulo assim se expressa: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei adulto, deixei o que era próprio de criança” (1Cor 13,11).

Não podemos continuar lidando com a vida de maneira infantil. Para viver é preciso se inspirar nos dons próprios de cada idade. A natureza providencia isso no tempo certo. Todos nós ganhamos os instrumentos certos, no tempo certo da vida.

Nós crescemos! Esta é, no mínimo, a óbvia constatação que devemos fazer em relação a nos mesmos porque o corpo não mente. Quem sabe, assim, conseguiremos enxergar que, o consequente amadurecimento, precisa ser provocado, buscado, desejado e pretendido.

Crescer é dádiva! Mas, amadurecer é empenho, é luta!

Novo Ano chegou! Não partimos da estaca zero. Cada qual já fez um caminho, já cumpriu etapas. Neste ano, precisamos amadurecer em direção às virtudes. São elas que nos potencializarão para uma vida de responsabilidades e compromisso, de alegria e felicidade. Comecemos pelas virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade (cf. 1Cor 13). Elas servem como um bom arranque.

Em 2019 é uma ‘boa pedida’ investir nas virtudes porque viver é, primordialmente, uma questão de interioridade.

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