As coincidências das listas do ódio

“…são os mais vulneráveis moralmente que desafiam a lógica da vida social.”

No início do regime nazista na Alemanha, em 1933, o uso de listas de perseguição e exclusão foi a estratégia para isolar opositores políticos, intelectuais, artistas e o povo judeu pelo boicote a lojas, escritórios, médicos e advogados marcados com pichações e vigiados por tropas de choque para intimidar a população a não consumir nesses locais.

Em outras frentes, surgiram as listas de demissão e expurgo para afastar funcionários públicos de origem judaica ou considerados “politicamente não confiáveis”, como os socialistas, comunistas e liberais.

Na escalada do arbítrio, da intolerância e da violência, surgiram as listas de livros proibidos com o expurgo de obras de autores judeus, pacifistas, comunistas e críticos do regime, para serem banidas das bibliotecas e queimadas publicamente em fogueiras.

Em 1935, foi iniciado o processo de cassação da cidadania, com o expatriamento de escritores, jornalistas e opositores exilados que tiveram a cidadania alemã cassada e os bens confiscados, em consolidação a um regime totalitário que caminhou rapidamente para a sanha de domínio global que causou a maior catástrofe humanitária da história do Planeta.

Não obstante à óbvia distância que as ridículas e insanas listas de boicote político publicadas em várias cidades brasileiras, junto à manifestação de ignorância, ódio e falta de respeito e empatia pelas redes sociais guardam das listas nazistas, é possível constatar semelhanças pela intolerância e o ódio expostos publicamente e sem qualquer pudor.

Sem observar os próprios umbigos, sem qualquer capacidade de autocrítica e de reconhecer ou aceitar as limitações e os muitos erros e falhas comuns a todos os humanos, são os mais vulneráveis moralmente que desafiam a lógica da vida social.

As absurdas e inconsequentes ofensas morais e até físicas perpetradas contra adversários políticos, incluindo alguns crimes de morte, fazem de alguns representantes de um grupo político que se autointitula como defensor da Liberdade, da Pátria e da Família meros seres primitivos e sem capacidade de entender o funcionamento da liberdade e do direito individual, que termina quando começa a liberdade e o direito individual do outro.

Ainda que as manifestações odiosas sejam restritas aos mais limitados intelectualmente e aos eternos intolerantes das redes sociais, é bom acreditar que qualquer semelhança seja apenas mera coincidência.

CONFIRA TODO O CONTEÚDO DA VERSÃO IMPRESSA DO JORNAL DA COMARCA – Assine o JC – JORNAL DA COMARCA –     Promoção: R$ 100,00 por seis meses.

Compartilhe
Facebook
WhatsApp
X
Email

destaques da edição impressa

colunistas

Cláudio Pissolito

Don`t copy text!

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.