“…são raras as cidades que não possuem as chamadas “cracolândias”…”
O aumento exponencial de usuários de drogas, lícitas e ilícitas, é uma séria ameaça à saúde pública em vários países, incluindo os Estados Unidos que enfrentam uma epidemia de viciados em anfetaminas que, praticamente, aniquila o usuário de forma muito rápida.
No Brasil, são raras as cidades que não possuem as chamadas “cracolândias”, locais de concentração de drogaditos em situação de degradação física, psicológica e moral, e que são tratados mais como caso de polícia do que como problema de saúde pública e de assistência social e mental.
A classificação de drogas no Brasil é feita por leis de regulação jurídica e sanitária que as divide entre permitidas e proibidas, com base nos efeitos que causam no cérebro e pela origem da substância. Drogas maléficas autorizadas e com regulamentação de comércio, como álcool, cigarro, medicamentos com receita e café, são consideradas lícitas.
Outras, igualmente ou mais prejudiciais, como maconha, crack, cocaína e LSD, têm a produção e o comércio proibidos e são combatidas permanentemente pelos aparatos de segurança que dedicam enorme esforço dos contingentes e dos recursos materiais.
A necessidade do uso de substâncias psicoativas para manutenção de atividades cotidianas, de trabalho, convívio social e da própria aceitação como indivíduo, prova a necessidade de ajuda ao dependente que, em vez de prisão, precisa de apoio e acompanhamento para a recuperação da sobriedade.
Afinal, o tratamento do usuário de drogas como caso de segurança pública se mostra absolutamente inócuo e serve apenas para ocupar, quase que inutilmente, as forças policiais que deixam de atuar contra crimes de furto, roubo, ameaça, homicídio e golpe financeiro, que de fato prejudicam e amedrontam a sociedade.
A prisão de traficantes se torna ineficaz do ponto de vista da segurança quando se constata que qualquer apreensão de drogas não evita o comércio e o consumo, que continuam abastecidos, enquanto o policiamento fica ocupado e os comerciantes de álcool e cigarro, produtos que podem causar efeitos mais devastadores, tem liberdade absoluta.
Partindo da premissa de que a droga está disseminada em todas as classes sociais e que, quase sempre, os mais pobres é que são presos, constata-se que é preciso investir na prevenção e no tratamento dos usuários e liberar as forças policiais para que, de fato, ofereçam segurança e proteção à sociedade.
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