“…as praças públicas perderam o povo, as crianças, os pipoqueiros e as bandas…”
O conceito de Praça Pública remonta ao período histórico-cultural de 13 séculos, entre VIII a.C. e V d.C., nas principais regiões do mar Mediterrâneo, chamado de Antiguidade Clássica, surgido na Roma e na Grécia como definição de espaço para reunir o povo, discutir os rumos das políticas de Estado, praticar o comércio e, obviamente, a vida pública.
Comumente, eram espaços monumentais livres, defronte às grandes catedrais, onde havia festas religiosas, feiras livres, eventos artísticos e até execuções, muitos deles com traços arquitetônicos e geométricos para valorização de monumentos e edifícios circunvizinhos.
Como meio de criar pontos de encontro, de convivência social e de atendimento aos cidadãos, incluindo a distribuição de água em chafarizes públicos, as praças se tornaram obrigatórias para os principais urbanistas e projetistas das mais diversas épocas, como espaço para demarcar as regiões nobres, ou centrais, desde as primeiras cidades que surgiram.
No Brasil, o conceito chegou junto com a colonização, quando as praças, ou os largos, passaram a ocupar espaço no entorno de igrejas, capelas e conventos, como forma de identificar as regiões mais movimentadas pelas mais diversas atividades.
A maioria das cidades brasileiras, onde o catolicismo predomina, tem as praças centrais como “marco zero” das aglomerações urbanas, de onde partem as ruas e onde se reúne o povo em festas e eventos comerciais ou religiosos, sempre no entorno das igrejas e das catedrais.
Entretanto, com o fenômeno da violência urbana e da busca de segurança, as cidades começaram a se espalhar, o comércio migrou para espaços fechados e o lazer deixou de ser coletivo para se tornar atividade restrita a grupos fechados, tornando as praças cada vez mais desertas.
Não por acaso, a maioria das igrejas das principais praças das cidades permanecem fechadas durante o dia, para evitar invasões e furtos, muitas cercadas de grades, como é o caso de Matriz de São Sebastião, de Palmital, e as praças públicas perderam o povo, as crianças, os pipoqueiros e as bandas musicais.
Até mesmo para participar de cerimônias religiosas, os fiéis evitam caminhadas e usam veículos que adentram as áreas que antes eram de domínio do povo e que foram transformados em estacionamentos para garantia da dita sociedade moderna que não tem segurança e muito menos paz para praticar sequer a religião.
CONFIRA TODO O CONTEÚDO DA VERSÃO IMPRESSA DO JORNAL DA COMARCA – Assine o JC – JORNAL DA COMARCA – Promoção: R$ 100,00 por seis meses.













