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Claudio
“…terceiro turno disputado não mais pelos políticos, mas sim pelos simpatizantes…”
Passadas as eleições que elegeu presidente, vice-presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, a batalha política acirrada e desleal, eivada de mentiras e engodos, recheada de ameaças e desrespeito às leis e às pessoas, permanece como uma espécie de absurdo terceiro turno disputado não mais pelos políticos, mas sim pelos simpatizantes, especialmente do presidente derrotado.
Enquanto os eleitos iniciam o processo de transição para assumir os cargos e os perdedores planejam o futuro e buscam blindagem fora da proteção comum aos políticos, os eleitores apaixonados se digladiam insanamente na defesa de quem não merece, pois diante do ruído se mantém ambíguo e escorregadio.
Sem perceber o mal que causam à própria democracia e também à sociedade e à economia, um grupo de brasileiros decidiu se manifestar contra o sistema depois do jogo jogado. Se todas as dúvidas estivessem na mesa com antecedência e as provas fossem verídicas, as paralisações deveriam acontecer antes do lançamento das candidaturas, pois não se pode acusar de golpe um processo no qual houve participação voluntária.
O mesmo raciocínio se aplica às reclamações e acusações de “golpe” contra a ex-presidente Dilma Roussef que, por ocasião do processo de impeachment, participou ativamente cumprindo as regras e se defendendo como manda a lei.
Em ambos os casos, de Dilma e Bolsonaro, os protestos só vieram depois de findado os processos, sem as manifestações contundentes que são comuns e legítimas aos inocentes e injustiçados.
A redemocratização havida no início dos anos de 1980, quando Tancredo Neves se lançou candidato civil e venceu o militarismo com as regras do jogo criadas para a manutenção do regime, mas não assumiu o cargo devido a doença e morte, serviu para definir novas bases do sistema político-eleitoral brasileiro.
Os militares retornaram aos quarteis com enorme desgaste ao devolver o país com hiperinflação e a maior dívida externa do mundo, enquanto os civis, inclusive os reabilitados das punições sofridas no regime de exceção, se organizaram em novos partidos para governar com alternância nos cargos, como prevê a democracia.
Entretanto, o saudosismo do regime militar, que se apresentava publicamente como impoluto e disciplinador, ficou na saudade de parte dos brasileiros mais velhos que confundem as boas lembranças do vigor e da alegria da juventude como benesses de governos autoritários, assim como muitos jovens foram cooptados pela falsa pregação dos valores de justiça, religiosidade e bons princípios como norma de conduta do novo governo.
Assim se manteve e se nutriu a chamada ideologia da direita, que no Brasil está muito mais afeita ao autoritarismo e à censura do que à filosofia política liberal e de redução do Estado, mas que passou a abominar o ruído natural das divergências saudáveis comuns à democracia participativa.
Neste longo embate de seguidores iludidos e seguidamente decepcionados surgiu uma liderança rústica e popular forjada no sindicalismo reprimido e em seguidas eleições disputadas, o carismático e excelente comunicador de massas Lula da Silva, que se tornou o legítimo representante das esquerdas e da maioria dos mais pobres.
Seus adversários, de maioria centro esquerda, se perderam pelo caminho ao perder legitimidade e abrir espaço para o caricato deputado Bolsonaro, que, do “baixo clero” legislativo passou à condição de “mito” ao assumir o discurso populista da direita como salvador do Pátria contra o comunismo fantasma, quando foi transformado em único contraponto a tudo o que havia de pior nas opções apresentadas.
Contudo, o eleitor e agora manifestante aguerrido do terceiro turno eleitoral não percebe que Bolsonaro só existe graças aos erros e desvios de Lula e que Lula só voltou graças aos erros e desvios de Bolsonaro.
No Matopiba, contudo, o ar seco predomina e só voltará a chover nos últimos 10 dias de outubro
A primavera de 2022 está com volumes de chuva acima do normal em boa parte do Brasil. Esses acumulados, aliás, já se refletem negativamente no bolso dos produtores rurais. Agricultores estão sofrendo, por exemplo, com a perda das lavouras pelo excesso de umidade.
Os trabalhos em campo também ficam interrompidos, afetando assim o plantio da soja em Santa Catarina, no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
Em Mato Grosso do Sul, a semeadura avançou, mas as chuvas frequentes no Centro-Sul e a ausência delas no Centro-Norte suspendeu o plantio. Dessa forma, acabou prejudicando o desenvolvimento do milho verão em boa parte do Sul do Brasil.
Apenas no oeste do Rio Grande do Sul, a colheita do trigo está sendo favorecida pelo tempo seco. Por ora, o milho semeado está com boas condições de umidade no solo, com 90% de água disponível. A saber: no estado gaúcho foi semeado 71% do cereal.
Chuva acima do normal x plantio de soja

Foto: Embrapa Soja
De acordo com dados do último relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio da safra de soja 2022/23 atingiu 11% em todo o país. Em Mato Grosso, principal estado produtor da oleaginosa, as chuvas ocorridas beneficiam o avanço do plantio, que, nesse sentido, alcança 22,2% da área.
No nordeste mato-grossense, no entanto, houve redução do ritmo da semeadura por causa do déficit hídrico. Em Minas Gerais, a semeadura aconteceu apenas em áreas irrigadas — isso porque o tempo está mais seco.
Temporais de norte a sul

Foto: Reprodução/Canva
Os temporais ainda estão previstos para boa parte de Santa Catarina, do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. Assim como também deve chover forte no Acre, no oeste do Amazonas e em grande parte de Rondônia. No Matopiba, entretanto, o ar seco predomina.
Nessa região produtora, os modelos meteorológicos só indicam chuva significativa nos últimos 10 dias de outubro. A Bahia, todavia, pode receber até 70 milímetros neste período. Dessa formam a chuva também voltará para Minas Gerais no fim do mês.

Foto: Freepik
Homem é preso por manter idosa e familiares sob condição análoga à escravidão no Centro Oeste de SP
by Claudio
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Mulher, que tem problemas de saúde, era obrigada a tomar banho na sala da casa onde viva com mais 3 pessoas, sendo uma elas uma adolescente. Suspeito afirmou à polícia que uma das vítimas tinha furtado seu ferro-velho em Piratininga
Um homem de 69 anos foi preso pela polícia Civil em Piratininga (SP) por suspeita de manter uma família em condição análoga à escravidão. Segundo a polícia, a investigação sobre o caso durou cinco meses, e concluiu que além de não receberem salário, as vítimas viviam em condições degradantes.
Ao todo quatro pessoas da família, sendo uma adolescente, dois jovens e uma idosa eram mantidas na propriedade rural, onde eram obrigadas a trabalhar sem receber salários. Além disso, na casa não havia banheiro e a idosa, que tem problemas de saúde, era obrigada a tomar banho na sala com ajuda de um balde.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Dinair José da Silva, o caso era investigado há 5 meses e o homem teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na última terça-feira (11). Além de manter a família em situação análoga à escravidão, ele também é investigado por agredir e ameaçar as vítimas.
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Família trabalhava na propriedade rural sem receber salário em Piratininga — Foto: Polícia Civil/ Divulgação
A propriedade onde a família vivia em condições precárias, inclusive sem alimento, fica em um assentamento no distrito de Brasília Paulista, às margens da Rodovia João Batista Cabral Rennó.
Ainda de acordo com o delegado, o homem teria levado a família para trabalhar de graça para ele para cobrir supostos prejuízos causados por um furto no ferro-velho de propriedade do suspeito. Ele acusava uma das vítimas de ser a responsável pelo furto.
O homem de 69 anos foi levado para cadeia de Avaí e o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. As vítimas foram encaminhadas para um abrigo.
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Mulher era obrigada a tomar banho na sala, onde todos dormiam também — Foto: Polícia Civil/ Divulgação
Desde o início da campanha eleitoral deste ano que o governador Rodrigo Garcia, candidato à reeleição, alerta os eleitores para os males causados pela polarização entre direita e esquerda na política brasileira, sempre se posicionando de forma isenta para que o Estado de São Paulo não seja afetado pela disputa acirrada que se trava em nível nacional.
O debate entre os candidatos a presidente realizado pela Rede Globo na quinta-feira provou que a divisão política e ideológica é prejudicial ao país e tende a se espalhar pelos estados e municípios que se alinharem a essa forma antiquada e perniciosa de fazer política.
A preferência do eleitor, dividida entre o ex-presidente Lula e o atual presidente Bolsonaro, repetindo a disputa havida em 2018, não chegou a São Paulo que manteve a continuidade administrativa desde o governador Mário Covas e que traz progresso social e desenvolvimento material.
Nove das melhores rodovias do país estão em São Paulo, nossa economia cresce acima da média nacional e os índices de segurança pública são os melhores do país, o que indica o acerto das políticas públicas iniciadas há quase 30 anos e que tem como mérito a sequência dos projetos.
“…tanto Lula quanto Bolsonaro desejam o controle sobre o segundo maior orçamento do Brasil…”
Entretanto, o que se constata no pleito atual é que tanto Lula quanto Bolsonaro desejam o controle sobre o segundo maior orçamento do Brasil, pois lançaram como candidatos em São Paulo os nomes mais conhecidos de seus partidos.
O candidato do PT, Fernando Haddad, foi considerado um dos piores prefeito de São Paulo e, quando pleiteou a reeleição, perdeu no primeiro turno, atrás até dos votos brancos e nulos, enquanto o candidato de Bolsonaro, o carioca Tarcísio de Freitas, foi diretor geral do Dnit no governo de Dilma Rousseff e não sabe sequer onde vai votar, pois não conhece São Paulo.
O baixo nível do debate, marcado por ofensas pessoais e acusações mútuas entre os dois principais candidatos, incluindo até um candidato auxiliar de Bolsonaro, chamado de “Padre de Festa Junina”, só foi salvo pelo comportamento assertivo e firme de Simone Tebet, a candidata que faz parte da coligação que lançou Rodrigo Garcia em São Paulo.
O espetáculo deprimente oferecido pelos candidatos ao cargo máximo mostra que o Brasil, e muito menos São Paulo, não merece ficar à mercê de ideais e atitudes retrógradas e de posições antagônicas à cultura progressista e moderna do Estado mais rico da Federação.
“…a paixão dos eleitores deixou de se fixar na empatia para se aflorar em rejeições.”
Há muito se constata que a atividade política está cada vez mais degradada, se distanciando dos mais honestos, dos idealistas, dos sábios, das melhores cabeças e dos intelectuais serenos e competentes, para cada vez mais se aproximar perigosamente dos espertalhões, daqueles que desejam a ascensão econômica e social facilitada e dos criminosos que buscam proteção nas leis de encomenda.
Diante da triste realidade, de não se encontrar personalidades dignas e confiáveis como Mário Covas, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves ou Miguel Arraes, a paixão dos eleitores deixou de se fixar na empatia para se aflorar em rejeições.
Assim sendo, em vez de cultivar a simpatia e a admiração, o povo é movido pela antipatia e pela aversão, pois escolhe como opção aquele que seja capaz de vencer o inimigo da vez, mesmo que este não ostente os melhores predicados e que não maneje os melhores métodos, pois na guerra contra o mal qualquer arma é válida.
O eleitorado que deveria se guiar pela esperança, pelos melhores projetos e pelos princípios e valores que norteiam as sociedades mais bem desenvolvidas, tem como arma apenas o ódio para combater o que ele considera o pior, sem observar que neste caminho todas as opções são péssimas.
Movidos pela rejeição, pelo menosprezo, pelo asco e pela cólera que contamina os nobres sentimentos, o eleitorado mais politizado passa a usar a repulsa para julgar qualquer manifestação que pareça contrária ao objetivo de aniquilar o “adversário” que ameaça sua paixão, mesmo que esta já seja também muito bandida.
Sem parâmetros de valores éticos, morais e até humanos, todos se engalfinham na guerra surda liderada pelos maus, acreditando que estão combatendo pelo bem, mesmo que usando o nome de Deus em vão, praticando ofensas, xingamentos e destruindo reputações, instituições e histórias de vida e trabalho.
Entre muitos exemplos, os brasileiros perderam a boa referência das nossas universidades, agora taxadas de antros de comunistas, de nossos cientistas, considerados como perversos, dos estudantes, tidos como drogados, e dos artistas, taxados de aproveitadores, até chegar ao ponto de negar a bela história do país com as vacinas.
Junto às rejeições de encomenda, tudo o que até então era motivo de orgulho, está reduzido a lixo, desde a Rede Globo de Televisão, uma das melhores emissoras do mundo, passando pelas urnas eletrônicas, orgulho da nossa tecnologia, até inexoravelmente chegar às Forças Armadas, que infelizmente não sairão incólumes da guerra dos lixeiros.








