Fábio
Bazar na praça da Matriz arrecada recursos para tratamento de paciente com câncer
Um bazar solidário foi montado na praça da Matriz de São Sebastião com o objetivo de arrecadar recursos para a técnica em enfermagem Terezinha Alves, a Teka, que enfrenta um tratamento contra o câncer.
A ação faz parte de uma ampla campanha de ajuda à paciente, que também lançou uma vaquinha virtual com meta de R$ 120 mil para custear três meses de tratamento com medicamento de alto custo, que era fornecido por meio de decisão judicial até alguns meses atrás.

O bazar ocorre das 9 às 20 horas, em barraca montada em frente ao Bradesco, e funciona nesta quinta-feira (05/05), com continuidade na sexta (06/05), sábado (07/05) e domingo (08/05). Há peças novas e usadas com valores que vão de R$ 0,50 a R$ 50,00. São oferecidos diversos produtos arrecadados por amigos, voluntários e comerciantes da cidade, entre roupas, calçados, acessórios e itens de utilidade doméstica.

CAMPANHA – Teka ficou sem acesso ao medicamento Pembrolizumabe depois da mudança de entendimento do STF sobre a judicialização de procedimentos de saúde. Por meio de um vídeo divulgado há duas semanas nas redes sociais, ela explicou que luta há cinco anos contra o câncer e atualmente faz tratamento paliativo com imunoterapia para uma metástase pulmonar.
Teka contou ainda que o Pembrolizumabe lhe garante melhor qualidade de vida e que recorreu novamente à Justiça para tentar voltar a receber o medicamento, mas ainda não há previsão para uma nova decisão.
Enquanto isso, em meio às campanhas para garantir a compra do medicamento, busca alternativas jurídicas para seguir com o tratamento e evitar a progressão da doença.
AGRADECIMENTO – Teka fez questão de agradecer publicamente às pessoas que vêm ajudando na campanha. Entre os nomes citados, estão Beth Zouki, da Associação Fuade Haddad, Paula Ribeiro, da Associação Oncológica de Assis, e Lu Braga, da associação de São Paulo. Ela também expressou gratidão aos comerciantes proprietários das lojas Calce Bem, Loja do Japão, Cóz Jeans e Life Style Silva.

Teka reconheceu que seria difícil citar todos que ajudaram, mas deixou um agradecimento especial a todos os amigos e comerciantes que colaboraram, com destaque para Clotilde Nogueira, do Buffet Gato Q Ri – Gato Fest. Quem desejar contribuir com a campanha pode fazer doações pelo Pix por meio do telefone (18) 99649-4990, em nome de Terezinha de Fátima Alves. O endereço da vaquinha virtual é www.vakinha.com.br/5504347.
Odileta Pansani de Haro e Paschoal de Haro construíram uma história de amor que atravessou gerações e terminou como começou: lado a lado. Casados há 74 anos, eles faleceram no mesmo dia, com apenas dez horas de diferença, em Votuporanga, no interior de São Paulo, a 527 km da capital.
O início da relação remonta a 77 anos atrás, quando se encontraram pela primeira vez na praça da Matriz da cidade. Ela, recém-chegada de Mirassol com os pais e sete irmãos, tinha 15 anos. Ele, um ano mais velho e nascido em Votuporanga, era o oitavo de nove irmãos. A paquera começou de forma inusitada: Paschoal girava uma correntinha no ar, que acabou caindo no braço de Odileta. Foi o pretexto para iniciarem uma conversa. O romance prosseguiu com o envio de cartinhas.
O casamento aconteceu no dia 15 de abril de 1951, na fazenda dos pais dela, coincidentemente na mesma data em que Paschoal completava 20 anos. Tiveram seis filhos — a primogênita, Sílvia, faleceu em 1997, aos 33 anos, vítima de leucemia.
A perda da filha uniu ainda mais o casal. “Tudo o que era possível fazer, eles fizeram. Até remédio com pingos de creolina ela tomou”, relembra o filho Luciano de Haro, 63 anos. “Eles tinham uma relação perfeita. Não era um conto de fadas, mas foi uma vida de ouro. A família sempre foi unida.”
Enquanto Paschoal trabalhava com os irmãos em lojas de tecidos e depois de calçados, Odileta se dedicava ao lar. Os domingos à tarde reuniam filhos e netos na casa dos dois. O dia 15 de abril era especial: além de marcar o aniversário e o casamento de Paschoal, também celebrava o nascimento da primeira neta, Camila, e da primeira bisneta, Athena, que vive em Londres.
Nos últimos anos, Odileta foi diagnosticada com Alzheimer e passou a ser cuidada pelo marido. Em 2023, Paschoal descobriu um câncer no intestino e recebeu diagnóstico de cuidados paliativos. Mesmo debilitado, sua preocupação era com a esposa. “Ele dizia que não queria que ela ficasse sofrendo sozinha. Pedia a Deus que os levasse no mesmo dia”, conta Luciano.
O pedido foi atendido. No dia 17 de abril, Odileta faleceu às 7h da manhã. Paschoal partiu às 17h, no mesmo quarto da residência em que viveram. Os dois foram velados juntos, na mesma sala, e sepultados em sequência. “Ela foi enterrada primeiro e ele logo depois, como ele queria”, relata o filho.
Odileta tinha 92 anos, e Paschoal, 94. Deixaram os filhos Carlos, Marta, Luciano, Iara e Karina, além de seis netos e quatro bisnetos.
Fonte: Folha de São Paulo


