Bebê dado como morto, que foi enviado a funerária, deixa UTI de hospital e respira sem aparelhos

O bebê Noah Gabriel da Cruz Santos, dado como morto e encontrado vivo por uma agente funerária em Rio Claro (SP), deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas de Bauru (SP), foi extubado e já respira sem a ajuda de aparelhos.

A informação foi confirmada à TV TEM nesta sexta-feira (31) pela mãe de Noah, Letícia Cristina da Cruz Santos. O bebê está internado no Centrinho, unidade especializada em anomalias craniofaciais vinculada ao Hospital das Clínicas de Bauru e à Universidade de São Paulo (USP).

“Está ótimo, para honra e glória do Senhor Jesus. Ele já está superbem. Agora começou a usar roupinha, saiu do berço aquecido e ainda segue em observação”, afirmou a mãe.

Fora da UTI, o bebê também já recebeu visitas. O outro filho de Letícia, irmão de Noah, conheceu o caçula. A tia do menino também foi visitar o recém-nascido.

Irmão e tia visitam Noah, dado como morto após parada cardíaca, durante a recuperação em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

Irmão e tia visitam Noah, dado como morto após parada cardíaca, durante a recuperação em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

Entenda o caso

Noah foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal logo após o nascimento, em 15 de junho.

Ele aguardava transferência para uma cirurgia no Centrinho, em Bauru, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória quando completava um mês de vida.

A Santa Casa de Rio Claro informou que as manobras de reanimação cardiopulmonar duraram cerca de 45 minutos. Após as tentativas, a morte foi constatada no fim da tarde.

O corpo permaneceu por cerca de uma hora na UTI Neonatal e, em seguida, foi encaminhado para outro setor, onde aguardava a retirada pela funerária.

Bebê Noah foi dado como morto em hospital, mas voltou a apresentar sinais vitais em Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Bebê Noah foi dado como morto em hospital, mas voltou a apresentar sinais vitais em Rio Claro (SP) — Foto: Reprodução/EPTV

Cerca de duas horas após a constatação da morte, a agente funerária Regina Célia Paschoal foi buscar o corpo e percebeu que o menino apresentava sinais vitais dentro do saco funerário.

“Abri e o neném começou a se mexer mais ainda, fazia um barulho, que ele queria respirar”, relatou Regina.

O recém-nascido foi reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e, dias depois, transferido para Bauru.

A mãe do bebê, Letícia Cristina da Cruz Santos, contou que chegou a ver o filho sem vida e com a coloração roxa, mas isentou o hospital de negligência. “Nós estamos contemplando a grandeza de Deus e admirando nosso guerreiro que continua lutando para ficar bem. Cremos no nosso milagre por completo. Milagre não se explica, se vive”, disse.

A agente funerária Regina Célia Paschoal percebeu que o menino Noah estava vivo dentro de saco em hospital em Rio Claro (SP) — Foto: Wesley Almeida/EPTV

A agente funerária Regina Célia Paschoal percebeu que o menino Noah estava vivo dentro de saco em hospital em Rio Claro (SP) — Foto: Wesley Almeida/EPTV

O que diz a Santa Casa

A Santa Casa de Rio Claro declarou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos. A instituição informou não ter identificado falha assistencial e classificou o episódio como um acontecimento extraordinário.

O diretor médico do hospital, Marco Aurélio Mestrinel, afirmou que a equipe seguiu todos os protocolos e que os aparelhos evidenciavam a morte da criança. “A gente não encontrou nenhuma justificativa do que pode ter acontecido”, disse.

O caso é analisado pela comissão de ética da instituição.

O que dizem os especialistas?

Em entrevista ao Fantástico, o gerente médico do Hospital Infantil Sabará, Nelson Horigoshi, explicou que situações semelhantes são extremamente raras e costumam envolver adultos ou idosos.

Uma das hipóteses descritas na literatura médica é a síndrome de Lázaro, caracterizada pelo retorno espontâneo da circulação após a interrupção das manobras de reanimação. No entanto, o especialista destaca que o caso de Noah foge do padrão.

“Normalmente são minutos. Mais ou menos 70% das pessoas que retornam, retornam em até cinco minutos. Olha só como o caso dessa criança é excepcional. A gente está falando de horas”, afirmou Horigoshi.

Fonte: g1

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