Bruno Garcia Moreira, presidente da Assocana, fala sobre desafios do clima para a produção canavieira na região

O agricultor e ruralista Bruno Garcia Moreira, presidente da Associação Rural dos Fornecedores e Plantadores de Cana do Vale do Paranapanema (Assocana), comentou a situação climática desafiadora de 2025 e os reflexos dos fenômenos para a próxima safra de cana-de-açúcar. O objetivo da análise, publicada no Boletim Semanal da entidade divulgado na última segunda-feira (25/08), é orientar os produtores da região, que inclui Palmital e os municípios da Comarca, e fomentar o debate para medidas que evitem maiores problemas ao setor.

Segundo Bruno Garcia Moreira, embora a região teoricamente sempre tenha geadas no inverno, faz muito tempo que não se presenciava uma constância tão incomum de frio desde o início da estação. O primeiro episódio de geada ocorreu no final de junho, afetando os canaviais de forma geral. No entanto, como estava no começo da safra, o impacto recaiu mais sobre a cana que ainda seria colhida, e as indústrias tiveram que realizar um processo mais complexo para retirar essa cana atingida.

Essa geada não afetou todas as áreas igualmente, havendo produtores mais ou menos impactados, e alguns até não foram afetados”, recordou Bruno, que assumiu em janeiro a presidência da Câmara Setorial de Açúcar, Etanol e Bioenergia do Estado de São Paulo e também integra o colegiado da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana). Outro episódio de formação de gelo com mais intensidade, segundo ele, ocorreu entre 8 e 10 de agosto.

De acordo com Bruno, a segunda onda de geada foi mais intensa que a de julho e afetou significativamente a cana soca – aquela colhida em maio e junho – que já apresentava boa brotação, com 30, 45 ou até 60 dias pós-colheita. “Há relatos de vários produtores de que essa cana soca foi muito afetada, chegando a queimar talhões inteiros”, destacou o presidente da Assocana.

Bruno disse que a cana afetada pela geada de agosto perdeu um bom período vegetativo, entre 40 e 60 dias, e agora terá que recomeçar a brotação com o início das chuvas. “Diante disso, imaginamos que essa perda de período vegetativo deve trazer um problema de produtividade”, avaliou ele, considerando o cenário atual como preocupante e com perspectiva de impactar na queda de produção para a safra 26/27.

Apesar da preocupação, Bruno ressalta que ainda é cedo para discutir a dimensão exata da provável perda de produtividade, pois a entrada em um período chuvoso normal – com bastante chuva – e a capacidade dos produtores de realizarem manejos específicos para auxiliar o processo vegetativo, podem amenizar a situação lá na frente. “A associação irá monitorar de perto essa situação nos próximos meses para buscar melhorar o quadro com o clima futuro”, finalizou o presidente da Assocana.

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