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“…o povo é corrupto e se aproveita de qualquer oportunidade para levar vantagem…”

Uma antiga e surrada frase da cultura popular diz que “cada povo tem o governo que merece”, em alusão à eleição ou aceitação de lideranças desonestas, incapacitadas, corruptas ou de vocação para o caudilhismo, que leva à ditadura e aos regimes de exceção.

Culpar o povo pelo governo que possui é um hábito relativamente recente, criado a partir da implantação de regimes democráticos mais participativos que garantem o integral direito de escolha feita pela maioria, ainda que o escolhido não seja o mais capaz ou que apareça muito diferente de como se apresentou na campanha, quase sempre enganosa.

Assim como, por hábito e com razão, muitas vezes taxamos nossos governantes de desonestos e corruptos, também temos como verdade afirmar que o povo é corrupto e se aproveita de qualquer oportunidade para levar vantagem, prevaricar, corromper ou lesar terceiros, indicando que a fonte de todos os males é mais cultural do que política.

Afinal, não existem linhas de fabricação de vereadores, prefeitos, deputados, senadores ou presidentes, pois eles são frutos da própria sociedade, carregam os mesmos valores e levam seus princípios éticos e morais para os gabinetes e os adotam como filosofia de governo.

Segundo as melhores definições, corrupção é a “deterioração de composição física de algo, modificação, adulteração das características originais, depravação de hábitos, costumes, devassidão, ato ou efeito de subornar uma ou mais pessoas em causa própria ou alheia com oferecimento de dinheiro, suborno…”.

Portanto, o corrupto não é apenas quem desvia e se aproveita de recursos públicos, mas também os que tem hábitos incompatíveis com a vida em sociedade, seja levando vantagens indevidas ou prejudicando os demais, o que inclui até mesmo jogar lixo na rua ou produzir ruído que prejudica terceiros.

No contexto da ética, temos como definição a “parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social”.

Assim sendo, os povos e os governantes devem atentar para os princípios morais e éticos, que praticados e bem preservados levam à evolução e ao progresso, assim como a negação desses valores leva à deterioração social e econômica. Afinal, como eleitores, temos os governos que merecemos, e neste ano vamos escolher os mesmos, ao que tudo indica.

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