A Câmara Municipal de Platina abriu uma Comissão Processante contra o vereador Lucas Gonçalves de Oliveira dos Santos, conhecido como Galo, por quebra de decoro parlamentar. O motivo foi a divulgação de um vídeo em rede social com a informação falsa de que teria solicitado à Promotoria da Comarca a apuração sobre uma obra parada na cidade — fato não confirmado pelo Ministério Público. A denúncia, por usurpação do nome e da autoridade da instituição, foi protocolada em 16 de junho por Danilo de Souza Ferreira Lima, secretário de Obras da Prefeitura e filho do prefeito Donizete Ferreira de Lima.
A representação foi lida na sessão realizada na última segunda-feira (29/06) e aprovada pela unanimidade dos vereadores aptos a votar, já que Galo estava impedido por ser alvo do processo. Conforme a denúncia, o parlamentar teria usurpado o nome e a autoridade do Ministério Público ao afirmar, em vídeos publicados nas redes sociais, que havia protocolado denúncia contra o secretário municipal e o prefeito.
Em um dos registros, divulgado em 11 de maio, Galo aparece de terno em frente ao Fórum da Comarca e, com um papel na mão, afirma ter pedido providências à promotoria sobre obras paradas na cidade, incluindo a Clínica Veterinária Municipal, a cargo de uma construtora de Palmital. Contudo, atendendo solicitação de Danilo Lima, o promotor Raffaele de Filippo Filho informou, em 15 de junho, que não havia no Ministério Público de Palmital qualquer procedimento ou determinação relacionados à afirmação feita pelo vereador.
Além disso, segundo a denúncia, o parlamentar teria depreciado seus colegas ao se autoproclamar “o único que atua”, mesmo tendo faltado à reunião oficial da Câmara em 26 de maio deste ano, quando Danilo Lima apresentou a prestação de contas das obras em andamento em Platina. Galo também acusou o secretário de Obras de “dar uma disfarçada” na execução da Clínica Veterinária, sem apresentar provas.
PROCESSO – De acordo com informações da Câmara Municipal de Platina, após o acolhimento da representação foi escolhida a Comissão Processante, presidida por Carlos Alberto de Carvalho, com Joacir Benedito Carro como relator e Lucilene Maria de Andrade como membro. O vereador, que não deve ser afastado neste momento, foi notificado na quarta-feira para apresentar defesa prévia em dez dias — prazo que termina em 11 de julho.
Após a entrega da defesa, a comissão deverá definir a pauta de reuniões para a instrução do processo, que inclui análise de documentos, realização de diligências e oitiva de testemunhas. O trabalho tem prazo de 90 dias para ser concluído antes da sessão de julgamento. Caso seja indicada a cassação, a perda do mandato só ocorrerá com votos favoráveis de dois terços dos vereadores, ou seja, seis parlamentares.
“Estou lutando pela população”, diz investigado
Depois do anúncio da formação da Comissão Processante, Galo pediu a palavra para questionar o processo que pede a cassação de seu mandato. “Em nome dos 142 mortos que eu tive, essa é a minha denúncia hoje. Eu estou lutando pelo bem da população”, declarou, acompanhado de diversos apoiadores no plenário.
O vereador também ressaltou que tem deixado sua atividade profissional de lado para se dedicar ao mandato: “Estou deixando minha empresa de lado, minha barbearia. Todo mundo sabe disso”. Galo reforçou que não teme o processo e que encara a denúncia com serenidade. “Recebi a denúncia e muito orgulho. Quem não perde, não perde. Eu vou ficar aqui, eu creio em Deus”, disse, encerrando a fala com a promessa de continuar trabalhando pela população.












