Caso Mariana Bazza: Justiça faz 2ª audiência do crime de latrocínio e estupro por videoconferência
Homem acusado de matar universitária Mariana Bazza, de Bariri, ajudou a jovem a trocar o pneu
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Rodrigo Pereira Alves, réu pelos crimes de latrocínio, estupro e ocultação de cadáver de Mariana Bazza, em Bariri, foi ouvido na penitenciária onde está preso. Universitária foi encontrada morta no dia 25 de setembro do ano passado.

A Justiça realizou nesta terça-feira (11) a segunda audiência de instrução em relação ao crime contra a universitária Mariana Bazza, de 19 anos, encontrada morta em Bariri (SP) no último dia 25 de setembro.

Devido à pandemia de coronavírus, a audiência para ouvir o depoimento de Rodrigo Pereira Alves, de 37 anos, acusado de ser o autor dos crimes de latrocínio, estupro e ocultação de cadáver, foi feita por videoconferência, com Rodrigo falando diretamente da Penitenciária II de Serra Azul, onde ele está preso.

A teleaudiência contou com a oitiva da última testemunha a ser ouvida no caso e também houve o interrogatório do réu. A audiência foi presidida pelo juiz da 1ª Vara Judicial da Comarca de Bariri, Guilherme Eduardo Mendes Tarcia e Fazzio.

Com isso, foi encerrada a produção de provas. Agora, o Ministério Público e a defesa apresentarão alegações finais e o processo será encaminhado para sentença. O processo tramita sob segredo de justiça.

A primeira audiência de instrução foi realizada em dezembro do ano passado, no prédio da 2ª Vara da Comarca de Bariri.

Na ocasião, foram ouvidas apenas testemunhas do caso, entre elas o pai e uma amiga de Mariana, além de policiais civis e militares envolvidos no caso, o dono da chácara onde o réu trabalhava quando abordou Mariana e um casal vizinho da propriedade. Rodrigo esteve no fórum, mas não foi ouvido.

O advogado Evandro Demétrio foi designado por sorteio para ser o defensor do acusado. O sorteio faz parte de um convênio entre a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Caso

Mariana desapareceu ao sair da academia onde frequentava, em Bariri, no dia 24 de setembro, ao receber ajuda de Rodrigo Pereira Alves para trocar o pneu do carro. Ela foi encontrada morta um dia depois em uma área de canavial em Ibitinga (SP).

Mariana Bazza, de 19 anos, foi encontrada morta após desaparecer em Bariri — Foto: Facebook/Reprodução

Mariana Bazza, de 19 anos, foi encontrada morta após desaparecer em Bariri

Rodrigo foi preso em Itápolis (SP) e foi denunciado pelo Ministério Público por estupro, latrocínio e ocultação de cadáver. A denúncia foi aceita pela Justiça no dia 10 de outubro.

De acordo com a denúncia do MP, Rodrigo roubou o carro, a carteira da vítima com documentos pessoais, R$ 110 em dinheiro, o celular dela e uma caixa de som. Ele também foi acusado de estupro e ocultação de cadáver, por isso pode ter a pena aumentada durante o processo.

Ainda de acordo com a denúncia, Rodrigo saiu da chácara para calibrar o pneu com o corpo de Mariana dentro do carro. O laudo necroscópico do IML de Araraquara apontou que a vítima foi estuprada e morta na chácara onde o acusado trabalhava como pintor.

Corpo foi encontrado em uma área de canavial na região de Ibitinga — Foto: Polícia Civil / Divulgação

Corpo foi encontrado em uma área de canavial na região de Ibitinga

Ainda de acordo com o MP, Rodrigo é multirreincidente, pois já cumpriu pena de 16 anos por roubo, sequestro, extorsão e latrocínio tentado, e havia saído da cadeia cerca de 30 dias antes do crime.

Ele está preso desde o dia 25 de setembro. Inicialmente ele foi levado para o CDP de Bauru, mas no dia 26 de setembro foi transferido para a Penitenciária de Iaras. No dia 15 de novembro, ele foi novamente transferido, desta vez para a Penitenciária II de Serra Azul.

Acusado de matar Mariana está preso desde o dia do crime  — Foto: TV TEM/Reprodução

Acusado de matar Mariana está preso desde o dia do crime

Crime premeditado

Uma câmera de segurança da academia que Mariana frequentava registrou quando Rodrigo se aproxima do carro da vítima e fica encostado nele durante alguns minutos. 

Nesse momento, segundo a polícia e o MP, Rodrigo murchou o pneu do carro para, depois, oferecer ajuda.

Caso Mariana: vídeo mostra linha cronológica dos acontecimentos

Cerca de meia hora depois, quando a jovem sai da academia e encontra o pneu vazio, Rodrigo, que estava do outro lado da avenida, começa a gritar para alertar sobre o problema – apesar dele não ter visão nenhuma do pneu vazio, o que comprova a teoria de que ele premeditou o crime.

Segundo o relato da amiga da vítima, Heloísa Passarello, Rodrigo atravessou a avenida falando sobre o problema e insistindo para que ela aceitasse ajuda.

Universitária que desapareceu recebeu ajuda de desconhecido para trocar pneu do carro

Universitária que desapareceu recebeu ajuda de desconhecido para trocar pneu do carro

Nas imagens dá para ver os dois conversando quando Rodrigo atravessa a avenida e entra em uma chácara, onde ele trabalhava como pintor.

Logo após a amiga deixar o local, Rodrigo volta e conversa mais um pouco com Mariana, até que ela entra no carro, dá volta na avenida e entra na chácara.

Imagem mostra suspeito abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagem mostra suspeito abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia

No imóvel, o suspeito trocou o pneu do carro de Mariana. A jovem chegou a fazer uma foto dele trocando o pneu e mandou para parentes. (veja abaixo)

Após a ajuda, o carro de Mariana aparece no vídeo deixando a chácara. A polícia diz que Rodrigo estava na direção do veículo.

Mariana enviou a foto do suspeito trocando o pneu do carro em Bariri  — Foto: TV TEM / Reprodução

Mariana enviou a foto do suspeito trocando o pneu do carro em Bariri — Foto: TV TEM / Reprodução

Além da foto, Mariana chegou a mandar mensagens ao namorado. A baixo a conversa entre Mariana e Jefferson Vianna.

Nas mensagens pelo WhatsApp, é possível ver que a universitária avisa sobre o pneu furado, os procedimentos que estavam sendo feitos e que recebia ajuda do suspeito. Mariana e o namorado mantiveram contato até 8h36. Uma das últimas mensagens da jovem foi “terça-feira pesada”.

Homenagem da mãe

Após um mês da morte de Mariana Bazza, a mãe da universitária, Marlene Bazza, postou no dia 24 de outubro um desabafo nas redes sociais sobre o quanto ainda era difícil a dor da perda e da saudade.

“Como poderíamos esperar que tudo isso fosse acontecer minha filha. Hoje faz um mês da sua partida e estou aqui tentando juntar os cacos. Meu coração sangra de tanta saudade de você. Tudo que planejamos foi tirado de um modo que não gosto nem de lembrar “, afirma.

Mãe de Mariana Bazza fez desabafo na internet sobre morte da filha um mês após o encontro do corpo — Foto: Reprodução/Facebook

Mãe de Mariana Bazza fez desabafo na internet sobre morte da filha um mês após o encontro do corpo

 

Muitos amigos também prestaram homenagens para a jovem nesta quinta-feira e lamentaram o assassinato.

“Hoje a saudade apertou. Um mês que você tornou nosso anjo da guarda, nossa estrelinha, brilha muito”, afirmou uma amiga nas redes sociais.

Mapa mostra locais onde Mariana Bazza foi abordada, em Bariri, e encontrada morta, em Ibitinga — Foto: Arte/G1

Mapa mostra locais onde Mariana Bazza foi abordada, em Bariri, e encontrada morta, em Ibitinga

FONTE: G1

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