Em operação conjunta na tarde desta terça-feira (13/01), a Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam o comerciante Alcindo Roder Júnior, conhecido como Tuca, de 59 anos, acusado de matar com um tiro no peito seu concunhado Levi Hilário Soares Cavalcante, de 53 anos. A captura do autor do homicídio, ocorrido no último domingo em um bar no centro de Palmital, foi resultado de um trabalho integrado de investigação e buscas, que mobilizou equipes das duas corporações desde o momento do crime.

Após a fuga de Tuca do local e a expedição de mandado de prisão temporária pela Justiça da Comarca, foram iniciadas diligências ininterruptas para sua captura. Na segunda-feira (12/01), foram cumpridos quatro mandados de busca domiciliar em endereços ligados ao investigado, tanto na área urbana quanto na zona rural. Embora o comerciante não tenha sido localizado, os policiais encontraram o veículo utilizado na fuga, abandonado em área de mata na Água do Meio, próximo à divisa com Ibirarema.
Na manhã desta terça-feira (13/01), as equipes concentraram esforços na região onde o automóvel havia sido localizado. Após intenso trabalho, Tuca foi encontrado próximo à margem do córrego da Água Nova, ainda com as mesmas roupas usadas no domingo, e recebeu voz de prisão sem oferecer resistência. Aos policiais, relatou que permaneceu escondido em área de mata nos últimos dois dias. Informalmente, também teria confessado a autoria do homicídio.

Devido ao quadro visível de desidratação, Tuca foi encaminhado inicialmente ao Pronto-Socorro da Santa Casa para atendimento médico. Em seguida, foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Palmital, onde sua prisão foi formalizada e demais providências de polícia judiciária foram adotadas. Posteriormente, foi encaminhado para a carceragem da Delegacia de Cândido Mota e será transferido para a unidade de detenção provisória de Presidente Venceslau, onde ficará à disposição da Justiça.

O delegado responsável pelo caso, Marcelo de Souza, informou que Tuca não foi ouvido durante o registro da captura nesta terça-feira (13/01), devido ao seu estado de debilidade e confusão mental após o período em que permaneceu escondido na zona rural. Ele deverá ser interrogado posteriormente. O chefe da Polícia Civil destacou ainda que as investigações continuam para o completo esclarecimento dos fatos e reafirmou o compromisso das forças de segurança com a pronta resposta à criminalidade e a proteção da população.
CRIME
O homicídio ocorreu por volta das 16h20 de domingo, em um bar no cruzamento das ruas Dr. Geraldo Coelho e Francisco Severino da Costa, no centro de Palmital. Conforme relatos de pessoas que estavam no estabelecimento, o clima era de absoluta harmonia, com a presença de vários amigos em conversas amistosas.
Em determinado momento, Levi chegou ao local, foi bem recebido e se sentou à mesa com um amigo, que logo depois deixou o estabelecimento. Testemunhas afirmam que, com a saída do companheiro de mesa, Levi se sentou em outra cadeira, junto ao concunhado Tuca, iniciando uma conversa.

O dono do estabelecimento relatou que, sem motivo aparente e sem qualquer discussão, Tuca teria sacado um revólver e disparado contra Levi, que foi atingido no peito e caiu no meio do bar. De imediato, Tuca colocou a arma na cintura e, sem dizer nada, deixou o local em uma motocicleta. A Polícia Militar foi acionada e rapidamente chegou ao estabelecimento, onde também esteve uma equipe do Samu, que constatou o óbito. O perímetro foi isolado até a realização da perícia pela Polícia Científica.
O corpo de Levi foi levado ao IML – Instituto Médico Legal – de Assis para necropsia e exames periciais. A polícia constatou que ele tinha apenas uma perfuração de tiro no peito, em área próxima ao coração, e que o projétil ficou alojado no tórax. Conforme consta no Boletim de Ocorrência, a Polícia Civil iniciou diligências em Palmital logo após o crime, com equipe comandada pelo delegado Fábio Fulan, plantonista da CPJ de Assis, que esteve na casa do acusado na Vila Albino.
Os policiais apuraram que, após o crime, Tuca foi até sua residência, deixou a motocicleta e saiu em seguida com um Gol G3, tomando rumo ignorado. No imóvel, onde ocorreram buscas, foram apreendidos 10 projéteis intactos de arma de fogo calibre 38.
A polícia verificou também que há câmeras de vídeo em lojas em frente ao bar, que podem ter registrado o crime e auxiliar nas investigações. Houve ainda a apreensão da carteira preta de couro de Levi, contendo cartões, dois dólares e diversas anotações em papéis avulsos, além de um aparelho celular Samsung, que serão objeto de apuração.
FUNERAL
O velório de Levi, ex-funcionário do posto de combustíveis da Coopermota, foi realizado na manhã de segunda-feira (12/01), na Funerária Aliança, onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens. O sepultamento, em meio a um clima de comoção, ocorreu no início da tarde, no Cemitério Municipal de Palmital.

Levi era casado com a professora Suzete Portilho, que morreu de câncer em 19 de junho de 2025, e deixa um filho, Pedro, estudante universitário. Em maio do ano passado, conforme relatos de familiares, ele havia deixado o emprego na Coopermota para cuidar da esposa durante o tratamento oncológico.
Com personalidade alegre e cativante, Levi era figura ativa na comunidade católica de Palmital, participando de celebrações e eventos promovidos pelas pastorais. Junto com a esposa, também atuava em atividades de defesa da causa animal na cidade. Sua morte trágica foi lamentada em diversas postagens nas redes sociais.













