Corona ou dengue

“…falta de cuidado com o próprio corpo, que pode ser imunizado com um simples repelente…”

 

Enquanto as pessoas se impressionam com o amplo e até exagerado noticiário sobre o Novo Corona Vírus, que teria sua origem e epicentro de expansão numa cidade chinesa, uma outra epidemia muito conhecida e duradoura, de quase dois séculos, causada pelo também conhecido mosquito transmissor, o Aedes Aegypt, cujas medidas para se evitar são bastante conhecidas, permanece em nosso meio fazendo vítimas em todas as épocas de todos os anos.

A diferença de tratamento oferecido pelos governos e pelos veículos que comunicação é que interferem na forma da população entender, discutir e enfrentar cada doença.

Muitos daqueles que se impressionaram com a ampla reportagem televisiva sobre a operação de guerra e de cuidado sanitário e humano na repatriação de pouco mais de 30 brasileiros que estavam correndo risco de contaminação pelo vírus chinês, não têm a iniciativa sequer de limpar o próprio quintal para evitar o inseto nacional.

O acompanhamento pela imprensa das declarações das autoridades, do clamor das famílias e das cobranças de jornais, rádios, TVs e sites, que usam lente de aumento apenas nos assuntos que desejam valorizar, mostra que grande parcela da população ainda é refém do sensacionalismo midiático.

A reportagem com enorme aparato técnico, recursos tecnológicos para ilustrar o deslocamento das aeronaves, filmagens das instalações e entrevistas com militares da base área e dos parentes que tem tempo e recursos financeiros para se manter bem instalados na espera de 20 dias para o encontro com dia e hora marcados, conseguiu impressionar e valorizar ainda mais a epidemia importada.

Entretanto, as imagens de hospitais congestionados, de corredores interditados por macas e de sepultamentos de vítimas de todas as idades, não passam de mais uma reportagem conhecida e repetida.

O fenômeno da falta de cuidado com o próprio corpo, que pode ser imunizado com um simples repelente caseiro, somado ao desleixo na casa e no quintal e à falta de responsabilidade social ao não adotar as medidas e cuidados necessários, são indicativos da irresponsabilidade social.

A ausência de um programa sério de combate aos criadouros e de responsabilização civil e criminal daqueles que propiciam as condições para que sejam mantidos e reproduzidos os mosquitos transmissores, são indicativos da irresponsabilidade oficial. Contrair Corona Vírus com cobertura da imprensa garante mais popularidade do que enfrentar a Dengue no anonimato.

 

Compartilhe

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Não Permitido Cópia