COVID-19 – Santa Casa de Jaú: ‘Não sabemos mais o que fazer; chegamos ao colapso’
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“Não sabemos mais o que fazer; chegamos ao colapso”. É com essa frase que a Santa Casa de Jaú encerra ofício remetido na segunda-feira (25/01) ao Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) e Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross). No documento, o hospital cita a sobrecarga de sua estrutura de atendimento a casos suspeitos e positivos de Covid e pede apoio para que pacientes sejam encaminhados para outras unidades de referência.

No sábado (23/01), reportagem do JC antecipou os problemas que a Santa Casa de Jaú vem enfrentando para absorver a alta demanda de pacientes que buscam a unidade com sintomas da doença). Na segunda-feira, no ofício ao DRS-6, a unidade revelou que está trabalhando “acima do seu limite estrutural e humano”, com 115 pacientes internados com sintomas de Covid-19, entre suspeitos e confirmados.

“Destes, 30 encontram-se no Pronto-Socorro, sendo dez aguardando vaga de UTI”, afirma. No documento, o hospital diz, ainda, que não tem mais espaço físico e nem leitos com saídas de oxigênio disponíveis. “Diante desta alta demanda de pacientes Covid-19 no Pronto Socorro, tivemos que alocar os pacientes na sala de sutura, na sala de obervação geral, consultórios médicos e sala de emergência”, conta. “Sabemos que o momento é delicado. Portanto, solicitamos o apoio desta DRS-6 e Cross para encaminhar os pacientes, independente da patologia, para outras referências”.

Na segunda-feira, boletim do hospital revelou que, dos 43 leitos de enfermaria disponíveis para Covid, todos estavam ocupados e outros 23, não específicos para a doença, estavam sendo usados para atender a demanda. Em relação às UTIs, as 35 disponíveis também estavam ocupadas, além de outras seis que foram liberadas pela Santa Casa.

DIÁLOGO

Em nota, o DRS-6 de Bauru informou que recebeu o ofício e que está em diálogo com gestores para garantir atendimento à população. “Na última semana, o governo de São Paulo anunciou a ampliação de leitos por todo o Estado, incluindo seis leitos novos de UTI no Hospital Estadual de Bauru. Hoje (25), a ocupação é de 86% em UTI e 61,9% em enfermaria na região. Portanto, há condições de assistir os pacientes”, diz.

“Além de manter hospitais e auxiliar a rede pública, a Secretaria também mantém uma estratégia especial de gestão de leitos hospitalares para dar prioridade à internação de pacientes com quadros respiratórios agudos e graves, com suporte da Cross, sistema online que funciona 24 horas por dia e que verifica vagas disponíveis em hospitais do SUS em SP para as transferências. Eventuais transferências inter-hospitalares e intermunicipais de pacientes serão feitas se, e quando, houver necessidade”.

ADEQUAÇÃO

Na última sexta-feira (22/01), o médico responsável pelo PS do hospital, Christiano De Luca Nassif, informou que o crescente aumento no número de pessoas com sintomas de Covid-19 que têm buscado atendimento levou a unidade a adequar espaços no Pronto-Socorro (PS) para acomodar esses pacientes até que eles sejam encaminhados para leitos de UTI ou de enfermaria.

“Reservamos nossa instituição para casos graves e para atendimento da população que nos procura em livre demanda. O atendimento tem sido realizado nos consultórios médicos ou na sala de emergência, dentro do nosso núcleo específico para casos suspeitos ou confirmados de Covid”, explicou em nota.

“Nosso desafio tem sido os pacientes que necessitam de internação para tratamento a nível hospitalar, seja em ambiente de Unidade de Terapia Intensiva ou Enfermaria comum. É nítido o crescimento do número de casos nas últimas semanas, o que nos levou a preparar e ocupar áreas do Pronto Socorro para proceder a assistência adequada desses pacientes e resguardar os assistidos da exposição à Covid”.

Fonte: Jornal da Cidade

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