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“…nossos adultos, os jovens e até as crianças perdem as referências de comportamento…”

 

O noticiário de jornais e rádios das menores cidades, antes restrito a festas e eventos e aos poucos casos policiais que envolviam pequenos furtos, se transformou em fonte de informação sobre a criminalidade, o tráfico de drogas e, principalmente, o envolvimento de menores em crimes e delitos de baixo e elevado potencial. A recorrência de roubos e furtos alimentados pelo vício das drogas, que mantém a lucrativa atividade do tráfico, ocupa grande parte do noticiário e, o mais grave, já não causa muito espanto em leitores e ouvintes. As notícias, que parecem repetidas, tornam esses acontecimentos bastante comuns.

A banalização do crime, em grandes centros ou nas pequenas cidades, assim como o comércio e o uso de drogas em espaços privados e públicos, mostra a degradação social na qual a sociedade mergulhou nos últimos anos. O que era restrito a pequenos grupos considerados como marginais, hoje atinge a praticamente todas as famílias e causa o efeito multiplicador ao levar as novas gerações a experimentar as reações causadas pelos narcóticos e também aderir aos esquemas de venda e distribuição de drogas das mais variadas naturezas como meio de sobrevivência e para manutenção do vício.

Com a oscilação permanente da oferta de empregos, a baixa qualidade do ensino que não se preocupa com a formação integral do indivíduo, somada à desagregação familiar e à falta de compromisso com valores morais e éticos, hoje considerados como termos retrógrados para grande parte da intelectualidade nacional, nossos adultos, os jovens e até as crianças perdem as referências de comportamento social. Afinal, quando se fala em incluir disciplinas como educação moral e cívica, por exemplo, a resistência já começa dentro das escolas, mostrando que a falta de compromisso parte daqueles que deveriam oferecer exemplos.

A recente polêmica sobre o comunicado enviado pelo Ministério da Educação às escolas sugerindo que se entoe o Hino Nacional com certa frequência, mas com o exagero de incluir o slogan de campanha do então candidato e agora presidente da república, além da filmagem das cerimônias, bastaram para que houvesse a desqualificação plena da iniciativa. E, assim, buscando os erros e os exageros comuns em qualquer governo, praticamente todas as iniciativas de mudança estão sendo minadas, deixando transparecer que vivemos no melhor dos mundos e que tudo deve permanecer como está, em plena degradação social.

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