Engenheira agrônoma de 23 anos morre após contato com agrotóxico
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A engenheira agrônoma Ana Claudia Gomes da Silva, de 23 anos, faleceu em Santa Bárbara d’Oeste, no último sábado (29/02), depois de complicações decorrentes de uma suposta intoxicação pelo manuseio de agrotóxicos.

 

Formada no estado do Ceará, Ana Claudia trabalhava com a manipulação de diversos tipos de compostos químicos, segundo relatou a mãe da engenheira agrônoma, embora não soubesse apontar em que condições isso ocorria.

 

A mãe, moradora do Jardim Dulce, disse à Polícia Civil que Ana Claudia reside no município de Iracema (CE), mas que pretendia ingressar em um curso de mestrado da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em Piracicaba.

 

Ela havia chegado ao município barbarense no último dia 13 e já apresentava sintomas de intoxicação, como erupções na pele, especialmente no rosto. Com o passar dos dias, a jovem teve uma piora no quadro, apresentando febre alta, e chegou a ser atendida no pronto socorro Dr. Edison Mano quatro vezes. Ela fez exame de sangue para detectar uma possível causa dos sintomas, cujo resultado indicou uma intoxicação hepática, relatou a mãe.

 

No dia 28, a engenheira agrônoma passou a ter insuficiência respiratória e foi novamente atendida no PS, mas não resistiu e faleceu na madrugada do dia seguinte. Diante do ocorrido, a mãe procurou o plantão policial para solicitação de um exame com o objetivo de apurar a causa da morte.

 

Com exames laboratoriais da filha em mãos, ela solicitou o encaminhamento do corpo ao IML (Instituto Médico Legal) para que posteriormente pudesse ser trasladado até o Ceará, onde será velado e sepultado nesta terça.

 

O LIBERAL tentou contato com o delegado que atendeu a ocorrência, questionando também a SSP (Secretaria de Segurança Pública), mas não obteve um posicionamento, na noite desta segunda-feira, com relação à possibilidade de investigação do caso.

 

INTOXICAÇÃO

O pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) Rafael Junqueira Buralli comentou, em entrevista ao LIBERAL, que agricultores familiares estão mais expostos à intoxicação, devido à pouca formação e falta de equipamentos de segurança adequados.

 

A exposição pode acarretar em efeitos agudos ou crônicos. Dentre os efeitos agudos é possível apontar problemas respiratórios, alergias na pele, irritação de mucosas e vômitos, 24 ou 48 horas após a manipulação dos agentes químicos, com uma relação causal mais simples de esclarecer.

 

Já os efeitos crônicos podem ser mais sérios e aparecem algum tempo depois. “Podem ser autismo, parkinson, alterações neurológicas, falência respiratória, alterações na função pulmonar, problemas mentais. São efeitos difíceis de estabelecer uma relação causal, porque acontecem muito tempo e até gerações depois”, explicou o pesquisador.

 

Entretanto, de acordo com ele, esta é apenas “a ponta do iceberg”, já que “os efeitos das misturas de agrotóxicos via alimentação ainda são um grande mistério para a ciência”.

Fonte: O Liberal

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