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Somos cerca de 7 bilhões de pessoas no mundo, interligados por vínculos familiares, políticos, econômicos, sociais, culturais, religiosos e de amizade. Isso seria suficiente sustentar relacionamentos de amor e paz. Infelizmente não é o que vemos. Não basta ser pai, mãe, irmão, sócio, correligionário, amigo… é preciso estabelecer relação de fraternidade. O que o mundo carece de relações fraternas. No texto a seguir, escrito em 1997, por Dom Edson Damien, quando, ainda, era padre encontramos o argumento e conteúdo para sustentarmos relações fraternas.

  1. A Fraternidade é uma urgente necessidade.

Ninguém vive sem amor. Amar e ser amado constitui a dupla via do amor. Nossa formação, de um modo geral, acentuou a dimensão oblativa (doação) do amor. Por isso temos dificuldade para nos deixar amar, para acolher o amor dos outros. É uma questão que precisamos tratar, sem medo! Quando alguém aceita ser amado, perde o poder que possui, pois se deixa influenciar e, de certa forma, conduzir pelo outro.  O medo de perder o controle explica as resistências de muitos para partilhar os sentimentos, as crises, os fracassos. A identidade pessoal não se descobre apenas com a pergunta: “Quem sou eu?” Correríamos o risco de encontrar uma identidade individualista, fechada em si mesma. Urge, também, perguntar.  “Com quem sou? De quem sou? Para quem sou?”

  1. A Fraternidade é um sonho

A fraternidade universal é o maior sonho de Deus.  Deveria, também, ser um sonho, para cada pessoa, ser e viver como irmãos! Mas, um dos pecados dos cristãos de hoje, é a incapacidade de sonhar. Nossos sonhos se tornaram pequenos, mesquinhos, rasteiros, insignificantes. É bom ter em conta que o Deus que estava longe como Senhor Altíssimo, chegou perto de nós como Abbá, Papai! “No AT, Deus é chamado de Pai somente 15 vezes. No NT, entretanto, que é três vezes menor, Deus é chamado de Pai, 245 vezes! É a explosão de uma experiência nova de Deus e da vida! Deus é Pai com coração de mãe! Esta é a grande boa notícia que Jesus nos trouxe” (Carlos Mesters).

  1. A Fraternidade é uma humilde experiência

Em toda relação humana, cedo ou tarde aparecem as diferenças. Onde não surgem confrontos, dificilmente se cresce no amor; dificilmente se constrói sólidas amizades. É preciso ter a coragem de interrogar-nos, mutuamente, com suavidade, mas com franqueza, sem ter medo das tensões e dos possíveis confrontos.  A falsa amizade vai minando e destruindo as relações fraternas. Fraternidade é um intercâmbio de vida para continuar peregrinando. A fraternidade possibilita uma humilde experiência que nos ajuda a caminhar com alegria e esperança, apesar das dificuldades e sofrimentos. A fraternidade é um espaço que torna possível ‘as íntimas relações interpessoais de fé’ (Puebla 641) e a experiência do encontro com Jesus.

  1. A Fraternidade é um precioso Dom de Deus

“Qualquer dom precioso e qualquer dádiva perfeita vêm do alto, desce do Pai das luzes…” (Tg 1,16-18). A fraternidade é difícil! Exige mansidão, humildade, paciência e perseverança. Podemos completar a lista lendo 1Cor 13. Só o amor de Deus, derramado em nossos corações, pelo seu Espírito, pode nos revestir da graça da fraternidade e do dom da amizade.

Para ser cristão é indispensável aprender a ser amigo, tornar-se especialista em amizade. Jesus, Irmão de todos, Mestre na arte de amar, nos ensina que a amizade é a forma mais concreta, visível, universal e credível de viver o Novo Mandamento (Jo 15,7ss). Acerta em cheio o poeta gaúcho Mário Quintana quando diz: “A amizade é uma espécie de amor que não morre nunca!”

A fraternidade é um precioso Dom que devemos suplicar ao Senhor todos os dias. A Espiritualidade da Comunhão se constrói em fraternidade!

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