Globo resgata a história do feijão carioca que foi descoberto por Waldimir Coronado Antunes em Ibirarema

Dia Mundial do Feijão, alimento presente nas refeições da maioria dos brasileiros, foi comemorado na terça-feira (10/02) com uma reportagem especial do g1, site de notícias do grupo Globo. A data foi escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019 para destacar a importância do grão, que faz parte do consumo de 60% dos brasileiros, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Mas você sabe com surgiu esse tipo de feijão, que é a preferência dos brasileiros? Abaixo, o g1 conta um pouco dessa história.

1. A origem do carioquinha

Em 1963, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes plantava a variedade do feijão chumbinho, que era da cor marrom-escura e uniforme, na fazenda Bom Retiro, em Ibirarema (SP).

Durante o trabalho, o profissional e o tio perceberam que algumas plantas possuíam grãos diferentes. Eles eram listrados e manchados de preto em um fundo claro.

Conforme aponta o artigo “Feijão Carioca: Meio século de sucesso no campo e de revolução na mesa dos brasileiros”, idealizado em 2017 por Luiz D’Artagnan de Almeida e a engenheira agrônoma Elaine Bahia Wutke, Antunes fez uma seleção natural dessas sementes, também chamada de seleção massal.

Nome do feijão carioca se deu pela semelhança com o Porco da raça Caipira Carioca — Foto: Reprodução

2. Surgimento e nomenclatura após mutação

Já em agosto de 1966, amostras do novo feijão foram enviadas ao Instituto Agronômico (IAC) em Campinas (SP) e identificadas como I-38700.

De acordo com Gerson Cazentini Filho, coordenador da seção de Sementes e Mudas da Diretoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a nomenclatura surgiu pela semelhança a um animal da região.

“O nome do feijão carioca se deu pela semelhança da raça do porco caipira carioca, que foi observado um pé diferente dos demais pela estrutura e os grãos, que eram de fundo claro, rajados por faixas marrom, por um produtor em sua lavoura de feijão do cultivar chumbinho”, conta.

Gerson Cazentini Filho — Foto: Divulgação

Gerson Cazentini Filho — Foto: Divulgação

3. Você sabia que o carioquinha é uma cultivar?

feijão carioca é uma cultivar, uma planta desenvolvida e selecionada a partir de características específicas, como cor, produtividade, sabor ou resistência a pragas.

Após o destaque nos testes, notou-se uma produtividade nesse grão, principalmente por ter tolerância a doenças foliares e pelo cozimento rápido.

“[O feijão] foi selecionado, padronizado e lançado como cultivar comercial com o nome de carioquinha”, relembra o coordenador da Cati.

Luiz D’Artagnan de Almeida, conhecido como o “pai do carioquinha”, foi o responsável pela reprodução e multiplicação desse grão. Ele morreu no começo deste ano, no dia 2 de janeiro, aos 84 anos.

Pesquisador Luiz D'Artagnan de Almeida morreu no dia 2 de janeiro de 2026 — Foto: Divulgação

Pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida morreu no dia 2 de janeiro de 2026 — Foto: Divulgação

4. Desempenho, preconceito inicial com a cor e popularização

Nos testes realizados entre 1967 e 1969, o carioca produziu 1.670 kg/ha (hectares), superando os 1.280 das variedades que existiam na época.

Em 1969, ocorreu o lançamento do novo feijão, mas, por não ser um modelo conhecido pelos consumidores da época, a coloração do feijão carioca não foi aceita inicialmente.

Com o objetivo de popularizar a cultivar entre os cidadãos, eram realizadas campanhas e palestras para explicar o surgimento do grão e fazer com que ela chegasse ao maior número de residências.

No ano de 1976, o feijão carioca era o mais cultivado e comercializado no estado de São Paulo e representa, na atualidade, 85% do mercado nacional, conforme aponta o artigo.

5. Benefícios da produção

Inicialmente, o feijão carioca (foto 3) não foi bem recebido pela população. Hoje, é líder no consumo por conta da facilidade de seu cozimento — Foto: Margot Lambert

Inicialmente, o feijão carioca (foto 3) não foi bem recebido pela população. Hoje, é líder no consumo por conta da facilidade de seu cozimento — Foto: Margot Lambert

Além da alta produtividade e resistência, Gerson Cazentini Filho também lista as principais características que tornaram o carioquinha um alimento imprescindível para a rotina alimentar dos brasileiros.

“[O feijão carioca] é fonte de proteína barata, muito produtivo e adaptado às principais regiões produtoras do estado. [Ele] combina saborosamente com vários pratos, principalmente o arroz. Ele foi rapidamente difundido e aceito pelos produtores e consumidores como opção preferida na alimentação paulista”, destaca.

6. Plantação e importância do feijão para o interior

Dia do Feilão foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019 — Foto: Cati/Divulgação

Dia do Feilão foi escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2019 — Foto: Cati/Divulgação

Pelo seu cultivo ser realizado na mesma área diversas vezes, o feijão necessita de uma cultura exigente em fertilidade de solo, como diz o profissional. Por isso, a sua plantação requer uma rotação anual de cultura.

“Hoje, o plantio é realizado em grandes áreas com irrigação do tipo pivô central, com teto produtivo bem alto e colheita mecanizada, atingindo alta produtividade e abundância de oferta conforme época favorável de cultivo e suprimindo o preço do grão”, explica o coordenador da Cati.

Embora o estado de São Paulo tenha sido o grande disseminador da cultivar, a plantação do feijão carioca ocorre em diversas áreas do país, com o foco de exportar o grão.

“Atualmente, porém, a grande maioria das sementeiras do Brasil tem disponibilidade, viabilizando a exportação para outros países, devido à oferta de proteína de excelente qualidade e baixo custo, garantindo a segurança nutricional e alimentar de populações subnutridas”, salienta o profissional.

Fonte: g1

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Cláudio Pissolito

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