Golpe da falsa audiência de indenização causa prejuízo a clientes de advogados em Palmital

Um novo golpe está preocupando clientes e profissionais do direito em Palmital. Falsários estão utilizando as imagens e nomes de advogados para fazer contatos com clientes por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

No contato, simulam audiências sob a falsa promessa da liberação de recursos de processos e causam grandes prejuízos às vítimas que acreditam nos estelionatários que se passam por representantes da advocacia e do Judiciário. 

Segundo relatos de um bacharel em direito que presta consultoria previdenciária, os golpistas criaram uma conta falsa no WhatsApp com sua foto e usaram o nome de um advogado.

A partir daí, entram em contato com possíveis vítimas, que são clientes do advogado, agendam uma suposta audiência virtual e apresentam um falso promotor durante a chamada. No decorrer da encenação, os criminosos convencem os clientes a realizar transferências via PIX em chaves que informam na hora, “para encerrar o caso”.

“Já existem vários boletins de ocorrência registrados. Três clientes chegaram a fazer depósitos e pelo menos outros dez foram abordados, mas não caíram no golpe”, afirmou o assistente previdenciário, que tem conhecimento de golpes que totalizam mais de R$ 100 mil.

Ele disse que soube dos casos nesta semana e acredita que os criminosos seguem ativos, mesmo após denúncias e bloqueios de números. 

Criminosos simulam audiências virtuais para subtrair dinheiro de clientes de adovgados

O GOLPE – Um advogado de Palmital ouvido pelo JC detalhou como funciona o esquema e, para conhecer melhor a fraude, chegou a conversar com os falsários depois de ser contatado pelo WhatsApp.

Segundo ele, o esquema começa quando os golpistas pesquisam processos pela internet e, com ajuda de IA e de acesso ao sistema da Justiça para copiar documentos dos autos, conseguem o contato das vítimas.

O advogado contou que os golpistas acessaram dados de um processo que ele moveu em 2007 contra uma empresa para a qual prestou serviço e fizeram contato com um número de celular da área 018 usando o nome e a foto de seu colega, que havia atuado na demanda, quando anunciaram uma “boa notícia” e apresentaram um falso alvará que garantia a liberação de indenização.

Ao analisar o documento, constatou diversos erros de timbre e nomes dos órgãos, mas os dados da vítima estavam corretos. 

Além de solicitar dados bancários, os golpistas condicionam a falsa liberação à participação em audiência virtual, por meio de plataforma de videoconferência, com um também falso juiz. O advogado contou ainda que, mesmo sabendo que era golpe, entrou na audiência e conversou com a pessoa que usava terno e estava em um ambiente de escritório.

O golpista usava a identificação “Ivan Meireles STJ”, com número de telefone de área 067 (região de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul).

Durante a reunião fictícia, o golpista teria pedido para que a possível vítima entrasse no aplicativo do banco. Quando foi acessar a conta bancária, segundo ele, o sistema informou que, como estava em chamada de vídeo, poderia estar ocorrendo golpe. Segundo o advogado, o golpista até chegou a pedir para ele ignorar os alertas e entrar no aplicativo, mas como não obedeceu, a chamada foi encerrada. 

VAZAMENTO – Outro advogado ouvido pelo JC conta que um colega relatou que teve dois clientes que perderam quantias de R$ 50 mil e R$ 13 mil com os golpes e que também acredita que os dados processuais são vazados para os golpistas, pois os documentos com dados dos clientes são disponíveis apenas às partes integrantes dos processos, aos advogados e aos serventuários do Judiciário.

Diante das restrições do sistema, ele acredita que apenas os que têm acesso à integra dos autos podem obter todos os dados para a montagem de alvarás falsos de autorização de indenizações.

SAIBA COMO SE PROTEGER

Segundo especialistas, os golpistas induzem a vítima a entrar na videochamada para extrair dados em tempo real. Para evitar prejuízos, a principal medida de segurança é quebrar o senso de urgência imposto pelos criminosos.
A orientação dos especialistas em casa de contato de criminosos é desligar a chamada imediatamente e entrar em contato com o advogado pelo número de telefone habitual. Caso a pessoa clique no link suspeito, é fundamental não fornecer códigos de verificação e agir rápido. 

Veja as orientações:

– Não realize movimentos específicos com o rosto nem leia frases a pedido de desconhecidos em chamadas de vídeo;

– Não repasse senhas ou códigos de autenticação em duas etapas recebidos por SMS;

– Se cair no golpe, avise imediatamente todos os bancos para acionar os sistemas de bloqueio do Banco Central;

– Registre um boletim de ocorrência e procure seu advogado verdadeiro para as medidas judiciais cabíveis.

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Cláudio Pissolito

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