Grupo que aconselha ministério faz parecer contra uso de cloroquina em pacientes hospitalizados por Covid
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Coordenador da junta de especialistas diz que 4 dos 7 capítulos de novo protocolo serão apresentados na quinta para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec); texto será colocado em consulta pública e depois pode vir a ser adotado como uma nova orientação do governo federal.

Um grupo técnico formado a convite do Ministério da Saúde elaborou um documento preliminar com orientações contra o uso da cloroquina, azitromicina, ivermectina e outros medicamentos sem eficácia no tratamento da Covid-19 em pacientes hospitalizados por causa da doença.

A análise é parte da elaboração de um protocolo único sobre como os doentes devem ser atendidos nos hospitais e também trata de intubação, oxigênio e outros pontos dos cuidados hospitalares.

O texto será agora analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Ele será colocado em consulta pública por um período de 10 dias e depois pode vir a ser adotado como uma nova orientação do governo federal sobre o tema.

(CORREÇÃO: O G1 errou ao informar que o ministério passou a contraindicar a cloroquina. O governo recebeu um parecer contra o uso e ainda não concluiu o protocolo. O texto foi atualizado às 14h18)

‘Ela se mostrou com nenhuma efetividade’, diz coordenador de estudo sobre cloroquina contra Covid
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Chamado de “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, o documento foi inicialmente divulgado pela “Folha de S. Paulo”. O texto, também obtido pela TV Globo, desaconselha o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o Sars-Cov-2.

“Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimab não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população”, aponta o documento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando desde o segundo semestre do ano passado que a cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina não tem eficácia comprovada contra a Covid-19 e podem provocar efeitos colaterais.

Apesar dos alertas, o governo não tornou sem validade a publicação de um documento técnico no qual recomenda que médicos receitem a cloroquina e a hidroxicloroquina mesmo em casos leves de Covid-19.

Objetivo: protocolo de tratamento hospitalar

De acordo com o coordenador do estudo, o pneumologista Carlos Carvalho, o ministro da Saúde pediu a formação de um grupo técnico com representantes das principais entidades e associações médicas para definir um protocolo de atendimento hospitalar.

Carvalho diz ter reunido especialista e quatro dos sete capítulos do protocolo foram já redigidos e serão apresentados ao Conitec na quinta-feira (20).

O debate sobre a inexistência de um protocolo único foi levantado em março pela médica Ludhmilla Hajjar, que recusou o cargo de ministra da Saúde, defender que é função do Ministério da Saúde orientar equipes médicas sobre a melhor forma de atender pacientes com Covid-19.

Diversas sociedades médicas concordaram e apontaram a falta das orientações unificadas.

“O tratamento pré-hospitalar não entrou nessas recomendações (que serão enviadas ao Conitec)” – Carlos Carvalho, coordenador de grupo de estudo

Estudo mostra que hidroxicloroquina pode não ser eficaz contra covid-19
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Mudança de posição

Se a indicação for formalizada, será a primeira vez em mais de um ano de pandemia que o Ministério da Saúde vai divulgar um documento desaconselhando tais drogas para tratar a Covid-19.

Em maio do ano passado, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello mudou o protocolo do Ministério para permitir a prescrição de cloroquina para pacientes com sintomas leves da Covid-19, como queria Jair Bolsonaro.

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Em setembro, aliás, durante a posse de Pazuello como ministro da pasta, o presidente da República se referiu a si mesmo como “doutor Bolsonaro” e fez propaganda da hidroxicloroquina exibindo uma caixa do medicamento à plateia.

Em 6 de maio, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga prestou depoimento na CPI da Covid no Senado. Questionado sobre se a cloroquina deve ser usada para tratar a Covid, ele alegou que a questão deve ser decidida pela Conitec.

Bolsonaro exibe remédio sem comprovação contra Covid na posse de Pazuello
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Fonte: G1

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