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A Estância Climática de Campos Novos Paulista é o mais antigo município da região. O rápido crescimento verificado na segunda metade do século XIX foi interrompido pelas disputas políticas e territoriais e principalmente pelo traçado da Estrada de Ferro Sorocabana, que ficou distante do principal povoado da região e fez com outras cidades tivessem maior importância no contexto econômico e social da época.

A origem de Campos Novos data de meados do século XIX, quando o bandeirante José Theodoro de Souza desbravava os sertões, combatia os índios e avançava rumo ao Oeste do Estado de São Paulo à procura de boas terras para fundar uma cidade. Encantado com a beleza dos campos, com a fertilidade das terras e com a amenidade do clima, o desbravador estabeleceu-se às margens do Rio Novo e fundou o povoado de São José do Rio Novo dos Campos Novos.

Em 1868, o local recebeu a denominação de São José do Rio Novo. Anos depois, o patrimônio foi chamado de São José de Campos Novos do Paranapanema e, em seguida, Campos Novos do Paranapanema. Durante o período de colonização, o povoado atraiu um grande número de imigrantes estrangeiros, além de pessoas provenientes das regiões Norte e Nordeste de São Paulo e do Estado de Minas Gerais, que deram origem às bases étnicas da população do município.

Já com uma pequena estrutura urbana, o povoado foi declarado Freguesia em 6 de abril de 1878 e Distrito Policial em 24 de junho de 1878. Em 1880, passou a Distrito de Paz, já com o nome de Campos Novos, e estava subordinado a Santa Cruz do Rio Pardo. Em 10 de março de 1885, Campos Novos foi declarado município, tendo passado por um período de grande desenvolvimento populacional nos anos que se seguiram.

Em 1888, a população chegou a 12.811 habitantes, incluindo os distritos de Ibirarema, Palmital, Platina, Echaporã, Conceição do Monte Alegre (Paraguaçu Paulista) e Marília, que pertenciam ao município de Campos Novos. Dois anos depois da emancipação, o município tornou-se sede de Comarca, na qual eram julgados todos os casos de crimes e disputas judiciais ocorridos nos povoados e distritos da região.

Os 26 anos que se seguiram foram chamados de “período trágico”, segundo a visão realista de Bruno Giovanetti, um pioneiro da conquista do Oeste paulista. Em depoimento transcrito na obra A História de Campos Novos Paulista, do historiador José Antônio Tobias, Giovanetti descreve a política selvagem e mal dirigida praticada na cidade, com um coronelismo mais interesseiro do que preocupado com o bem comum, incapaz de absorver o progresso gerado pela chegada da Estrada de Ferro Sorocabana à região. Assassinatos e impunidade de criminosos, medo, tramas políticas, fizeram com que aos poucos a Comarca se enveredasse pelo caminho da decadência.

Em 16 de fevereiro de 1918, a importante Campos Novos, que durante décadas foi conhecida como a porta de entrada do vale do Rio Paranapanema, deixou de ser Comarca. A decadência chegou ao ponto máximo em 30 de novembro de 1944, quando voltou a ser um distrito, desta vez ligado ao recém criado município de Ibirarema. Em 24 de dezembro de 1948, o povoado readquiriu o status de município e, em 29 de dezembro de 1955, foi elevado ao grau de Estância Climática.

À sombra das disputas que ocorriam, José Theodoro de Souza, homem forte e corajoso, porém analfabeto, deixou a cidade pouco depois da fundação da freguesia e partiu, montado em sua mula marchadeira, rumo ao Oeste, em direção das terras ainda inexploradas. Com o tempo e com a conquista de novas terras, inclusive com a fundação de cidades como São Pedro do Turvo e Conceição de Monte Alegre, foi considerado o maior bandeirante do período da Frente de Pioneira. Mas, apesar de todas as conquistas, o desbravador foi ludibriado por muitos que o seguiram e acabou perdendo todas as posses de terra que conquistara e morreu pobre em local ainda incerto.

No século XX, Campos Novos, que não conseguiu manter o mesmo ritmo de desenvolvimento verificado inicialmente, fundou suas bases econômicas nos setores da agricultura, da pecuária e do aproveitamento dos recursos hidrominerais, que possibilitaram o desenvolvimento do turismo. O município, que tem atualmente 4.932 habitantes estimados pelo IBGE para 2018, registra a terceira maior população entre os municípios da Comarca de Palmital. A pecuária e agricultura são importantes atividades econômicas de Campos Novos Paulista.

O turismo é um potencial a ser explorado e que já teve momentos de maior importância com o Hotel Climático, que foi muito procurado nos anos 60 e 70. O atual prefeito Júlio César do Carmo, o Bijuca, está trabalhando para viabilizar recursos e a obras de infraestrutura para fomentar o setor, garantindo atração de visitantes ao município.

IGREJINHA – A capela do Sagrado Coração de Jesus, resistiu ao tempo e é testemunha da longa história do município. Localizada na praça central da cidade, ela ainda é usada para as celebrações religiosas da comunidade católica. Segundo pesquisas de historiadores, a igreja foi erigida pelos pioneiros em 1885 e é tida como o prédio histórico mais antigo de Campos Novos. Além da capela, várias outras construções são do tempo em que o município era sede da Comarca. O próprio Fórum atualmente serve como residência, é prova da importância da cidade pelo tamanho da construção.

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