Médico oferece atestados via redes sociais para que pessoas não usem máscara
Compartilhe

O médico Sérgio Marcussi, de Belo Horizonte, publicou nas redes sociais que está distribuindo atestados para pessoas que não querem usar a máscara de proteção contra o coronavírus.

“Hoje já fiz 20 atestados desses. Vamos disseminado (sic)”, disse o homem no Twitter nesta segunda-feira (26).

Em outro post, ele afirmou que “Está é a solução para você se livrar da focinheira. Eu chama de cabresto também. Só não pode falar o nome (sic)“. Marcussi também apresentava um “passo a passo” para solicitação do atestado (veja na imagem abaixo), listando os dados necessários.

'Vai lá na clínica', disse médico de BH  — Foto: Reprodução/Redes sociais

Um homem comentou “Também quero” e ele respondeu “Vai lá na clínica”. De acordo com o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), Sérgio Marcussi é ginecologista, obstetra e nutrólogo. O consultório dele fica na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

G1 perguntou ao CRM do estado de Minas Gerais se essa prática de Marcussi é permitida, se há alguma apuração em andamento sobre o caso e qual o posicionamento do órgão sobre a postura do médico. Sobre esses pontos, não houve resposta. O conselho disse que precisa apurar melhor os fatos.

Tanto no âmbito federal, quanto estadual e na capital mineira, o uso de máscara como medida sanitária de prevenção ao coronavírus em espaços públicos é lei.

Depois de ser procurado nesta terça-feira (28), Sérgio apagou o perfil dele no Twitter e no Facebook. Ele não quis se posicionar por telefone, e-mail ou pessoalmente, quando equipe de reportagem esteve na clínica.

No Instagram, o médico postou uma série de vídeos dizendo que “todos os atestados são precedidos de uma consulta médica” e que “na lei diz que precisa de uma declaração médica para a pessoa não usar máscara, eu tenho dor de cabeça, eu não uso máscara”.

A lei federal de número 14.019 dispõe que a obrigação é dispensada no caso “de pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial, conforme declaração médica, que poderá ser obtida por meio digital, bem como no caso de crianças com menos de 3 (três) anos de idade”.

Dor de cabeça, como declarado por Marcussi, não está na lista. “Eles vem com a ‘ciência’ deles e nos com a razão (sic)”, está entre as declarações on-line que o homem deletou.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, médico Estevão Urbano, reforça a importância do uso de máscara para prevenção da Covid-19.

“O vírus é transmitido por gotículas de saliva produzidas pela fala, tosse e espirro e que contaminam as pessoas que estão a menos de um metro de distância. A única forma de diminuir o contágio é utilizar alguma coisa que proteja nossas mucosas de serem contaminadas por essas partículas. A máscara protege de duas formas: o indivíduo que está expelindo o vírus e também a pessoa que está no ambiente e que poderia ser contaminada”, afirmou o infectologista.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais, o estado já teve 351.033 casos confirmados de coronavírus, dos quais 8.789 acabaram em morte. Só em Belo Horizonte, 1.448 pessoas morreram com Covid.

Sem especificar o caso, o CRM-MG informou que apura apenas denúncias formais e que os procedimentos correm sob sigilo. Para registrar uma denúncia, que não pode ser anônima, a pessoa deve enviar um documento escrito e assinado para a sede do CRM-MG na capital ou para as regionais, pelo correio e através do e-mail processos.crmmg@portalmedico.org.br.

Fonte: G1

Compartilhe

Deixe uma resposta