“…os brasileiros sem leitos, sem UTI e sem vacinas continuam desafiando a sorte e a morte.”
A escalada do Novo Coronavírus em todo o mundo, com mais mortes em países que menos respeitam as regras básicas para evitar a contaminação, não está servindo de exemplo para grande parte da população.
Enquanto muitos desavisados acusam a China de criar o vírus de propósito para ganhar dinheiro, esquecem que os chineses cumpriram com rigor as recomendações das autoridades e, por isso, houve controle rápido da situação e, agora, quase todas as cidades tem vida normal.
A diferença está na cultura de respeito à vida em sociedade observado em países orientais e o nosso eterno descaso para com o próximo.
A falta de consciência da parte da população, notadamente dos jovens que, por natureza, cometem transgressões como meio de afirmação, assim como de muitos já maduros e idosos que sequer acreditam na existência do vírus e muito menos em sua letalidade, fazem com que nossas atividades profissionais e sociais estejam em risco permanente.
Enquanto muitos se recusam a cumprir regras e os responsáveis pelas determinações tem receio de melindrar com punições, os “inocentes” continuam pagando pelos “pecadores”, pois cada morte registrada é um alerta esquecido alguns dias depois.
A falta de cultura de respeito à convivência social e coletiva, que é a base para a melhoria da qualidade de vida de todos, assim como a ausência do bom senso e do hábito de respeitar normas mínimas para a coexistência saudável e respeitosa, fazem com que nossa sociedade seja taxada como um grupo de pessoas atrasadas, egocêntricas e individualistas, incapazes de entender a dinâmica do conceito de coletividade.
Com o interesse e a opinião pessoal, e as vezes até política, postas acima do interesse público e coletivo, caminhamos para o abismo do caos sanitário e da saúde pública devido à nossa ignorância.
Enquanto países ricos, com excelente estrutura médico-hospitalar, população de renda elevada e boa qualidade de vida e saúde, cumprem as normas com disciplina, como vemos na TV as ruas vazias e as praças desertas na Europa, os brasileiros sem leitos, sem UTI e sem vacinas continuam desafiando a sorte e a morte.
Nossa incapacidade de respeitar regras, como provam o lixo deixado nas ruas, o trânsito causador de muitas vítimas e a criminalidade elevada, desmentem as afirmativas de que somos um povo bom, ordeiro, hospitaleiro e feliz.
A pandemia oferece oportunidade a cada cidadão a provar seu nível de consciência e de respeito para com o próximo.













