Compartilhe

Enquanto o mês missionário evolui no tempo, formando a trilha do discipulado, nós seguimos refletindo algumas de suas implicações na vida eclesial: missão e o bem comum.

Objetivo: Superar uma aparente contradição que parece existir entre fé e vida, entre fé e política e, ao mesmo tempo, lançar luzes sobre a prática cristã alinhada com a esperança do bem comum. O evangelho, como Boa Notícia é, essencialmente, um apelo sobre o Bem de Deus no mundo e o bem comum de todos. Foi Jesus mesmo quem disse: “Eu vim para que todos tenham vida e, vida em abundância.”

Em princípio, política pública é o cuidado do todo realizado pelo governo ou pelo Estado. Compõe-se de todas as ações discutidas, decididas, programadas e executadas em favor de todos os membros da sociedade. São ações de governo ou ações de Estado. De governo porque ligadas a um determinado executor, portanto são temporárias. De Estado quando são ações permanentes, ligadas à educação, à saúde, à segurança pública, ao saneamento básico, à ecologia e outros. Elas visam especialmente as pessoas que são empurradas para as margens da sociedade e até excluídas.

A participação dos cristãos na sociedade possibilita fortalecer a vida social nas suas relações. Construir uma fraternidade, cuidar do bem comum, fortalecer a cidadania expressa a força transformadora do Evangelho no cotidiano das comunidades. A política é essencialmente o cuidado para com o que é comum e realizar ações que ajudem na integração de todos na sociedade. Políticas públicas como ações comuns, públicas, pertencentes a todos. É tarefa de todo cristão participar na elaboração e concretização de ações que visem melhorar a vida de todas as pessoas. Fazer obras de misericórdia!

Pistas para a Reflexão: Em todo lugar, quando se fala em política, nota-se um certo cansaço, descrédito e até mesmo aversão. Muitos acontecimentos acabam justificando esse comportamento. Embora isso seja compreensível, precisamos entender que a política é essencial para a transformação da sociedade porque, política quer dizer: a arte de realizar o bem comum.

O cristão é, por natureza, amigo do bem e, por acreditar no bem, promove o bem. O cidadão é por natureza, ser político, ou seja, aquele que cuida da cidade e do bem comum. Como cristãos e cidadãos nós temos uma responsabilidade missionária muito grande onde nós vivemos. Ou seja: a partir da fé usar a política como instrumento de transformação da sociedade, tendo em mente, a dignidade das pessoas e o bem comum. Somos agentes de transformação do mundo, pela fé em Jesus Cristo.

Desenvolvendo o tema: A Palavra de Deus nos apresenta Jesus como o Mestre do Bem Comum que, faz a gestão da situação-problema (Marcos 6,30-44), por meio do protagonismo compartilhado: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. O contexto é uma multidão de gente faminta num lugar sem acesso a comida. Diante da situação-problema, a ideia recorrente, entre os discípulos, é que Jesus libere o povo para que cada um vá procurar seu alimento e resolver sua fome. Mas, Jesus, realista e ousado, desafia-os dizendo: “Vocês é que têm de lhes dar de comer”, indicando, com isso que o problema não é, somente, do povo. Os discípulos reagem, novamente, apresentando a insuficiência de dinheiro e recursos, para solucionar a situação-problema do povo; eles continuam isentando-se da solidária responsabilidade, uma vez que o povo está ali por causa deles e do Mestre. Diante da dificuldade para a ação assertiva, Jesus intervêm; procura saber quais são os recursos disponíveis (“Quantos pães vocês têm? Vão ver”), recebe esses recursos (“Cinco pães e dois peixes”), organiza o povo (“mandou que todos

se sentassem na grama verde, formando grupos”), abençoa, parte e manda distribuir os pães e os peixes entre todos… o resultado é o povo satisfeito e a comida sobrando (“recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes”).

Políticas públicas não são, simplesmente, uma questão de dinheiro mas, antes de tudo, uma questão de interesse pelo bem comum.

Compartilhe

Deixe uma resposta