“Não temos leito. Pessoas vão morrer sem ter expectativas e esperanças de sobreviver pois estamos em colapso”, desabafa médica de Marília
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O desabafo de uma médica de Marília (SP) sobre a situação preocupante do coronavírus na cidade está repercutindo nas redes sociais. Até a manhã de terça-feira (12/01), a postagem de Ana Carolina Amaral tinha mais de 1,7 mil compartilhamentos no Facebook.

A publicação ocorreu no sábado (09/01), horas antes de Marília, que é referência para Palmital e região, atingir 100% de ocupação nos leitos de UTI para Covid. Pela primeira vez na pandemia, a prefeitura precisou transferir para outro município um mariliense diagnosticado com Covid por falta de vagas nos hospitais locais.

Na noite de sábado, a prefeitura e a Polícia Militar interromperam uma festa com cerca de 200 pessoas que estava sendo realizada em uma chácara de Marília.

“Pessoas inconsequentes, egoístas, prepotentes […] Entendo o momento em que todos estamos saturados e enfadados de isolamento, porém, nossa cidade vive um momento crítico. Não temos leito. Pessoas vão morrer sem ter expectativas e esperanças de sobreviver pois estamos em colapso”, publicou a médica.

“Qual o sentido de tamanha desumanidade? Falta de empatia? Acham ainda que é política? Eu como médica posso dizer não tem nada de política. Temos jovens saudáveis morrendo, idosos sem comorbidades morrendo ou sobrevivendo, a Covid é uma roleta russa, não vamos saber quem é a próxima vítima”, continuou Ana Carolina na postagem.

A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid é um dos indicadores utilizados pelo Plano São Paulo para determinar as regras de flexibilização da quarentena. Nesta sexta-feira (08/01), o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Marília foi rebaixado para a fase laranja do plano, depois de passar meses seguindo a fase amarela.

Na segunda-feira (11/01), Marília registrou mais duas mortes por coronavírus, de uma mulher de 53 anos e de um idoso de 77 anos. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura, o município soma 9.348 casos de Covid e 122 mortes.

“Eu particularmente estou esgotada, física e emocionalmente. A maioria nunca terá a sensação de dizer para uma mãe que seu jovem filho acabou de falecer por Covid em pleno Natal ou dizer para uma esposa que o pai de seus filhos está indo para UTI para ser entubado. É triste, frustrante, as lágrimas escorrem em cada notícia ou ligação”, completou Ana Carolina.

Fonte: G1

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